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Barclays, Citibank e Deutsche fazem oferta por bônus de dívida argentina

Buenos Aires, 23 set (EFE) - Os bancos Barclays, Citibank e Deutsche Bank fizeram uma oferta para reabrir a troca de bônus da dívida argentina com credores privados, revelou hoje o Governo da Argentina, que antecipou que a análise de suas propostas levará entre duas e três semanas.

EFE |

"A partir daí, será iniciado o resto do processo" até a aprovação definitiva da proposta, que precisará de ratificação do Congresso, explicou o chefe de Gabinete argentino, Sergio Massa, em declarações a emissoras locais.

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, anunciou na segunda-feira em Nova York que recebeu a proposta de três grandes bancos internacionais para a troca dos bônus com credores privados que ficaram de fora da reestruturação em 2005.

A Argentina fez há três anos uma milionária reestruturação de sua dívida com credores privados em moratória desde 2001.

Esta não foi aceita por 24% dos detentores de bônus, que ostentavam títulos de US$ 20 bilhões em conjunto e que ficaram fora de uma troca que, no total, chegou a mais de US$ 81,8 bilhões.

"A proposta tem três fases: a primeira, que foi a apresentação de ontem; a segunda, que será a análise técnica e econômica a ser feita pelo Poder Executivo; e depois, se a proposta for avaliada como conveniente, o terceiro passo será o envio ao Parlamento para sua ratificação", explicou Massa à rádio "Continental".

O chefe de Gabinete disse que o Congresso seguramente "vai olhar com muito bons olhos" a oferta se "for mais conveniente do que a proposta de 2005 para a Argentina".

"A iniciativa desse grupo de bancos neste momento do sistema financeiro mundial e neste momento da Argentina é duplamente importante", destacou.

Por sua parte, o ministro do Interior argentino, Florencio Randazzo, declarou à televisão local que a oferta é "um passo em frente para a normalização definitiva da Argentina", que abre a possibilidade de o país poder "conseguir dinheiro a taxas razoáveis para serem financiadas com setores privados".

A oferta dos três bancos foi elogiada por economistas e detentores de bônus e considerada pela imprensa econômica como uma medida que, se concretizada, poria "fim ao default" da nação.

O economista Ricardo Delgado opinou que o Governo tem "fortes vencimentos de dívida e, com esta proposta de pagamento, garante o entrada de US$ 2,5 bilhões em fundos frescos, que permitirão fechar a brecha financeira em 2009".

Enquanto isso, a oposição argentina prometeu um "profundo" debate no Congresso para analisar a medida e considerou que esta proposta "não resolve tudo em matéria de financiamento" para o país.

Cristina explicou ontem que os três bancos fizeram uma proposta muito mais propícia para a Argentina do que as condições de troca de 2005, e disse que a oferta inclui um refinanciamento de empréstimos que ajudará a financiar a dívida pública que vence em 2009 e 2010.

Esses empréstimos garantidos foram realizados através de títulos colocados em 2001 nas carteiras dos bancos e administradoras de fundos de aposentadoria por US$ 13,4 bilhões, dos quais US$ 3,1 bilhões vencem no próximo ano.

Durante sua visita a Nova York, a presidente argentina também tentará acertar com os líderes europeus que integram o Clube de Paris os detalhes para o cancelamento da dívida milionária que o país tem com esse fórum, integrado por 19 nações desenvolvidas. EFE ms/wr/db

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