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Banqueiros justificam no Congresso dos EUA uso do dinheiro do plano econômico

María Peña. Washington, 11 fev (EFE).- Os executivos de Wall Street foram hoje ao Congresso para defender o uso dos US$ 165 bilhões oferecidos pelo Governo dos Estados Unidos dentro do plano de resgate econômico e encontraram o ceticismo dos legisladores e uma opinião pública irritada com a falta de resultados.

EFE |

Questionados pelos legisladores durante uma audiência da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, oito dos principais executivos de Wall Street insistiram em que a situação seria pior sem o plano de resgate que o Congresso aprovou em outubro do ano passado.

Esta foi a primeira vez que estes diretores deram esclarecimentos no Congresso desde que a crise financeira começou a se intensificar, em setembro de 2008.

Os legisladores pediram aos executivos para reconhecer a "ira" dos contribuintes com a pouca transparência sobre a administração dos fundos e com a percepção de que as instituições não usaram o dinheiro para atender a uma das exigências do plano: flexibilizar o crédito aos consumidores e empresas.

Cientes do enorme problema de imagem pelo qual passa o setor, os executivos, um por um, responderam que, exatamente graças ao plano de resgate, conhecido pela sigla em inglês "TARP", é que os bancos continuam emitindo linhas de crédito.

O valor disponibilizado aos bancos é parte do plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões que, através do Departamento do Tesouro, procura combater a crise de liquidez do setor.

Quase todos chegaram ao Congresso com um mea culpa e com o compromisso de trabalhar com os legisladores para corrigir as falhas do sistema.

O presidente da Comissão, Barney Frank, pediu que cooperassem "de boa vontade" e dessem sinais de que não só entendem a "ira", mas que "estão dispostos a fazer sacrifícios para que isto funcione".

Desta forma, o principal executivo do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, afirmou que jamais tinha visto "um abismo maior entre a indústria de serviços financeiros e o público".

Blankfein reconheceu a "enorme irritação do público" e a percepção da opinião pública, às vezes "com razão", de que "Wall Street perdeu de vista suas amplas obrigações públicas".

Ele também se comprometeu a corrigir "certas práticas" e a restabelecer a "estabilidade e vitalidade" do setor financeiro.

Já o executivo do Bank of America Kenneth Lewis reconheceu que os contribuintes "querem que administremos nossos gastos cuidadosamente e forneçamos transparência sobre como estamos utilizando seu dinheiro para reativar a economia".

"Estas expectativas são adequadas e estamos trabalhando para responder a elas", assegurou Lewis.

Como exemplo, o diretor lembrou que, em 2008, ele e outros executivos de alto nível deixaram de receber bonificações e outros tiveram as gratificações reduzidas em 80%, em média.

Lewis acrescentou que o Bank of America, que recebeu US$ 45 bilhões do programa "TARP", concedeu, no quatro trimestre, um total de US$ 115 bilhões em empréstimos para pessoas físicas e empresas.

Por sua vez, o principal executivo do Morgan Stanley, John Mack, disse que a crise de liquidez de Wall Street deixou evidente a urgência de "uma mudança profunda" no sistema.

O banco no qual trabalha aumentou a transparência, modificou a estrutura de como distribui as bonificações e, em geral, diminuiu o risco, assegurou.

Mack reconheceu que ainda resta muito caminho a percorrer para reconquistar a confiança do público, dos investidores e das autoridades.

A meta continua sendo "pagar totalmente aos contribuintes assim que for possível", destacou.

Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, destacou que apoia uma proposta para a criação de um órgão que supervisione os mercados financeiros americanos para responder a algumas das "fragilidades" do sistema e "tapar as brechas" no sistema regulador.

O republicano Spencer Bachus disse aos banqueiros que todos têm que fazer sua parte para "recuperar a confiança" da opinião pública.

Paralelamente, o secretário do Tesouro, Tim Geithner, disse em uma audiência da Comissão de Orçamento do Senado que, com a perda de três milhões de empregos em 2008 e outros 600 mil no mês passado, o Governo de Obama tomará medidas maiores para eliminar os ativos com pouca liquidez do setor financeiro e aumentar o fluxo de créditos.

O objetivo é combater a pior crise financeira nos Estados Unidos em 70 anos. EFE mp/db

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