SÃO PAULO - O rebaixamento do rating do BNP Paribas fez a luz amarela voltar a acender na Europa, interrompendo uma sequência de nove pregões positivos das bolsas locais. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,98%, para 5.

247 pontos; em Paris, o CAC-40 perdeu 0,83%, para 3.705 pontos; e em Frankfurt, o DAX caiu 0,38%, aos 6.269 pontos. Ontem à tarde, quando os mercados europeus já haviam fechado, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do banco francês BNP Paribas de "AA" para "AA-". A agência afirmou que o rebaixamento foi devido a "questões estruturais" ligadas ao mix dos negócios do BNP. A notícia reacendeu as preocupações dos investidores com a situação dos bancos europeus. A desconfiança foi ainda reforçada pelo anúncio de que o banco francês Credit Agricole prevê mais perdas para sua unidade na Grécia. Os papéis do BNP recuaram 1,9% e os do Credit Agricole perderam 4,7%. Outra informação avaliada pelos investidores hoje foi a decisão do governo britânico de realizar cortes mais duros no gasto público e aumentar impostos para tentar diminuir significativamente o endividamento recorde do país. O secretário do Tesouro britânico, George Osborne, anunciou ainda que vai impor um imposto sobre os bancos para levantar 2 bilhões de libras (US$ 3 bilhões) ao ano, reduzir em 25% a maioria dos orçamentos de departamentos do governo e conseguir um acordo da rainha Elizabeth II para aceitar um congelamento na contribuição recebida dos cidadãos. Já a Espanha informou hoje que reduziu seu déficit nos cinco primeiros meses de 2010 para 18,818 bilhões de euros, equivalentes a 1,79% do PIB.. O valor é 5,7% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo negativo nas contas do governo era de 19,949 bilhões de euros, correspondentes a 1,90% do PIB. No campo corporativo, as empresas britânicas foram destaque. A British Airways fechou um acordo com os fundos de pensão de seus funcionários para resolver o déficit de 3,7 bilhões de libras (US$ 5,5 bilhões) e, assim, dar continuidade ao processo de fusão com a espanhola Iberia. Os papéis da aérea britânica subiram 0,3% e as da espanhola ganharam 1,3%. Já a BP perdeu mais 4,4% hoje, para 334,20 pence, menor preço do papel em seis anos. A empresa sofre com os gastos para conter o vazamento de petróleo no Golfo do México e reparar os prejuízos causados pelo derramamento. (Téo Takar | Valor com agências internacionais)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.