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Bancos sofreram processo darwiniano, diz Armínio

Armínio Fraga, sócio fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central (BC), acha que o Itaú-Unibanco pode se tornar um dos grandes grupos bancários internacionais. Ele observa que os bancos brasileiros passaram por um processo darwiniano de adaptação a um ambiente difícil durante décadas, e por isso estão em condições muito boas, comparados a seus pares no mundo.

Agência Estado |

A seguir, a entrevista.

Como o sr. viu a fusão de Itaú e Unibanco?

Acho que são passos finais de um processo de consolidação que vem desde a estabilização. No início, foram situações mais difíceis, eram empresas em dificuldades, tanto públicas quanto privadas. Agora é uma consolidação mais positiva, de busca real de sinergias, de complementariedade.

A crise financeira internacional pode ter influenciado o timing da decisão?

Não creio. Não vejo como fazer um negócio desses - que não era necessário, nenhum dos dois precisava fazer isso - de afogadilho.

A fusão fortalece o sistema bancário brasileiro, em termos sistêmicos?

Não me parece relevante. A área mais afetada recentemente foi a dos bancos pequenos e médios, principalmente os que têm um modelo de captação no atacado. O Banco Central está lidando com isso, viabilizando esquemas de liquidez. Acho que muitas instituições pequenas, com o tempo, terão de mudar de perfil ou fechar. É natural isso, se vê no mundo inteiro, com poucas exceções.

O Itaú-Unibanco pode se tornar um grande banco internacional?

Acho que sim, com o tempo. Com certeza eles têm a competência. Acho que seria natural, agora que ganharam essa escala ainda maior, que realmente aumentassem um pouco o seu foco em oportunidades fora do Brasil. E o momento que estamos vivendo, por mais difícil que seja, pode oferecer oportunidades.

E como o sr. vê os bancos públicos, neste momento de consolidação?

É sempre um problema para o sistema quando há algum banco operando com motivações não econômicas. Mas acho que os bancos públicos, se continuarem numa direção de atuação com objetivos predominantemente comerciais, vão se desenvolver e se perpetuar. Houve todo um trabalho, ao longo da última década, de melhoria nos padrões de gestão e governança dos bancos públicos.

Como o sistema bancário brasileiro se compara com o internacional, que está em crise?

Os bancos brasileiros são o produto de um ambiente notoriamente difícil nas últimas duas, três décadas. Então, é uma coisa meio darwiniana: nossos bancos são muito bons, até porque são produtos da sobrevivência em condições extremamente adversas. É um sistema competente, experiente. Por outro lado, não viveu ainda uma grande ciclo de expansão de crédito. Acho que essa é uma experiência nova, que vai ter de ser muito bem monitorada pelo Banco Central.

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