Com o nível de mortalidade em queda e bons índices de pontualidade no pagamento, as micro e pequenas empresas têm despertado o interesse do mercado financeiro. Aos poucos, elas estão resgatando a confiança dos bancos e se tornando um investimento de menor risco, o que facilita a captação de crédito.

Com o nível de mortalidade em queda e bons índices de pontualidade no pagamento, as micro e pequenas empresas têm despertado o interesse do mercado financeiro. Aos poucos, elas estão resgatando a confiança dos bancos e se tornando um investimento de menor risco, o que facilita a captação de crédito. As micro e pequenas representam 99,2% das empresas brasileiras, geram 60% dos empregos e respondem por 30% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). E é de olho nesse mercado que os grandes bancos anunciam contratações, elaboração de áreas específicas para empresas de pequeno porte e a criação de novos produtos. "Esse mercado é um grande negócio e os bancos estão certos nessa aposta", diz Ricardo Tortorella, diretor-superintendente do Sebrae. Entre os grandes bancos de varejo, o Santander tem uma das estratégias mais agressivas para abocanhar um maior número de clientes desse perfil. A previsão de Ede Viani, diretor da área de pequenas empresas do Santander, é dobrar a base de clientes para 1 milhão até 2012. "Para conseguir esse feito, vamos adicionar, até 2012, 1,7 mil gerentes específicos para prospectar e atender pequenos empresários", diz. O diretor conta que a decisão de crescer nesse segmento está ligada às boas previsões de crescimento das micro, pequenas e médias empresas, e à avaliação do Santander de que a fatia desses empresários na carteira de crédito total é pequena quando comparada com a concorrência. Ao final de março, o total de empréstimos do Santander alcançava R$ 139,9 bilhões, dos quais 22% eram para empresas de pequeno e médio porte. A expectativa para este ano é crescer o nível de empréstimo em 25%. O Bradesco, por sua vez, aposta na inovação para atrair novos micro, pequenos e médios empresários para a carteira de 1,1 milhão de clientes desse nicho. "Queremos aperfeiçoar o canal de comunicação com esse mercado e desburocratizar", diz Nilton Pelegrino, diretor do departamento de empréstimos e financiamentos do banco. Para desburocratizar, Pelegrino conta que a intenção é oferecer mais produtos pela internet, "para que o empresário consiga adquirir um crédito sem a necessidade de ir à agência". Até março, a carteira de crédito do Bradesco era de R$ 235 bilhões, sendo R$ 68 bilhões para micro, pequenos e médios empresários. O Itaú Unibanco não pretende fazer novas contratações para enfrentar a concorrência mais acirrada. "Já temos 8 mil gerentes específicos para esse público - no mínimo um por agência", diz Sandra Boteguim, diretora executiva de produtos de Pessoa Jurídica do banco. Hoje, a base de clientes formada por micro, pequenos e médios empresários chega a 1,5 milhão. "Temos 11% de market share e até o fim do ano chegaremos a 12,5% de participação no mercado", prevê. Ela diz que, no Itaú, o segmento crescerá acima da média de mercado - que, segundo ela, tem expectativa de alta de 20% no volume emprestado. Sem crise. Para o gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, o interesse do setor financeiro pelas micro e pequenas empresas se explica basicamente por dois fatores: elas foram e estão sendo menos prejudicadas pela crise porque concentram seus negócios no mercado interno; e, com o crescimento, estão conseguindo melhorar sua imagem e se tornarem tomadoras de empréstimos mais confiáveis. A última pesquisa da consultoria mostrou que a saúde financeira dessas empresas nunca esteve tão bem. No primeiro quadrimestre, 94,4% dos pagamentos foram pontuais (à vista ou com até sete dias de atraso). "Isso é um recorde nos últimos cinco anos, quando começamos a fazer essa pesquisa", diz Rabi. "Os bancos começaram a perceber que o risco das micro e pequenas empresas não é tão grande." Entre janeiro e abril deste ano, a procura por crédito foi 13,9% entre empresas de menor porte.

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