As reclamações contra os serviços bancários feitas ao Banco Central e julgadas procedentes aumentaram 81% nos últimos dois anos, na comparação do acumulado de janeiro a julho deste ano ante o registrado no mesmo período de 2006. Foram perto de 9,6 mil reclamações nos sete primeiros meses de 2006, ante 17,4 mil queixas no mesmo período de 2008.

O ano de 2006 foi o escolhido para a comparação porque em 2007 uma greve de funcionários do BC, que durou 43 dias, prejudicou a análise e o julgamento das reclamações. De acordo com dados do BC, o volume acumulado de maio, junho e julho do ano passado foi de 3,1 mil reclamações, média pouco superior a mil por mês, o que poderia distorcer o resultado, já que a média mensal de janeiro a abril de 2007 foi cerca de 1,8 mil.

O item que mais contabiliza reclamações em 2008 é "atendimento", que inclui as modalidades presencial, na agência, e por telefone. Até julho, foram cerca de 3,8 mil queixas, 21% do total (veja quadro). O BC informou que as reclamações consideradas procedentes são objetos de averiguação por parte do banco, que pede resposta à instituição alvo de queixa. Os bancos têm dez dias para se manifestar.

Para Maria Inês Dolci, coordenadora institucional diretora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), organização de defesa do consumidor, os bancos não dão a devida atenção às queixas dos clientes, o que leva a um maior volume de reclamações junto ao BC. "Os órgãos de defesa do consumidor também têm ações junto ao BC para que a fiscalização seja aprimorada", diz.

Na opinião da diretora da Pro Teste, apesar de haver mais canais de reclamação, como as ouvidorias das instituições, os serviços prestados pelo setor ainda deixam a desejar.

O editor de imagens Arlem Ribeiro, 30 anos, encaminhou reclamação ao BC há cerca de um mês. Segundo ele, no ano passado, a instituição bancária pela qual recebe o salário informou que as tarifas que ele pagaria pelos serviços seriam menores, mas na prática o banco continuou cobrando os preços da tabela avulsa, aquela utilizada para quem não conta com pacotes de serviços. "Reclamei e o banco corrigiu o erro mas, em seguida, voltou a praticá-lo", afirma.

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