Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Bancos propõem reformas no sistema financeiro global

Em meio a uma das maiores crises bancárias da história, o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, em inglês), espécie de Febraban mundial, apresentou ontem uma série de propostas para reformar o sistema financeiro e recuperar a confiança dos mercados. No relatório de 200 páginas, propõe mais exigências na concessão de crédito, consultores independentes nas agências de classificação de risco, mudanças no pagamento dos CEOs e novos modelos para avaliar títulos lastreados em hipotecas e outros instrumentos financeiros complexos.

Agência Estado |

"A indústria de serviços financeiros reconhece as suas responsabilidades", disse Joseph Ackermann, presidente do conselho do IIF e do Deutsche Bank. "Admitimos que houve sérios problemas nas práticas de vários bancos, que contribuíram para a crise bancária e na economia como um todo."

Com as reformas, o IIF espera aumentar a confiança no sistema bancário e evitar novas crises. E sugere a criação do Grupo de Monitoramento de Mercado, para detectar precocemente vulnerabilidades no sistema. Os executivos admitem que falharam em várias instâncias. "Cometemos erros que custaram muito caro para alguns", disse Rick Waugh, presidente do Scotia Bank e um dos organizadores do relatório.

De forma geral, o IIF quer melhorar a avaliação da exposição a risco dos bancos. Um dos grandes problemas da atual crise foi que os bancos estão cheios de instrumentos financeiros complexos, entre eles títulos atrelados a hipotecas de alto risco, e há dificuldade pata determinar o valor desses papéis. As instituições estão tendo baixas contábeis de bilhões porque o valor que atribuíam a muitos desses papéis se provou ser exagerado. O IIF aponta para a necessidade de desenvolver modelos mais eficientes para determinar o valor desses papéis.

Papel importante é desempenhado pelas agências de classificação de risco, que muitas vezes atribuíam nota AAA (superseguro) para títulos que acabavam perdendo garantias por causa de inadimplência no setor imobiliário, ou seja, perdiam boa parte do valor. Uma das recomendações é ter um consultor independente dentro das agências para avaliar esses títulos complexos. As agências de de risco se opõem.

O IIF também pede maior controle na securitização de financiamentos. "Nós apoiamos o modelo de originar e distribuir, mas o uso excessivo desse modelo tem sido um dos maiores motivos para a crise", disse Waugh. "Sabemos que a competição para conceder empréstimos levou ao enfraquecimento dos parâmetros."

Esse modelo se refere à prática dos bancos de comprar financiamentos imobiliários de empresas de hipoteca, transformá-los em títulos e vendê-los para fundos e investidores. Foi considerado por muitos, inclusive pelo ex-presidente do Fed Alan Greenspan, uma boa maneira de diluir riscos. Mas o modelo acabou exacerbando certos riscos, pois incentivava empresas de hipoteca a fazer empréstimos para tomadores que não podiam pagar.

O IIF também sugere mais moderação nos pacotes de demissão - muitos CEOs estão saindo com pacotes milionários de bancos com enormes problemas, irritando os acionistas que perderam muito dinheiro.

Para os críticos, o relatório é a forma de a indústria bancária esvaziar tentativas de regras mais duras da SEC e do Fed. Ao se auto-regular, os bancos querem evitar mais regulamentações pesadas do governo. Ackermann nega. "Não achamos que esse relatório é uma forma de autodefesa e que estamos fazendo auto-regulação", disse. "Os reguladores é que têm de decidir o que é preciso. Mas essas são nossas recomendações e nós vamos implementá-las."

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG