O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, tem a expectativa de que os bancos privados voltem a emprestar logo. Não há motivo para ter no Brasil retração de crédito como nos países desenvolvidos.

" Ele argumentou que o grau de alavancagem (uso de recursos além do patrimônio líquido) das instituições no Brasil não é tão grande quanto em outros países.

O BNDES poderá abrir uma linha para financiar capital de giro das empresas. Porém, Coutinho entende que o ideal é que o banco não precise chegar a criá-la, e se isso ocorrer, ainda seria necessário encontrar a fonte de recursos. "Esperamos que o setor privado nos dispense desse esforço."

Ele lembrou que várias medidas foram tomadas pelo governo para normalizar o crédito. Citou, por exemplo, o afrouxamento dos depósitos compulsórios no Banco Central. Coutinho disse também que a fusão do Itaú com o Unibanco é positiva, mas não espera que faça efeitos no crédito imediatamente. Os dois bancos continuarão a trabalhar separadamente por algum tempo, observou. De acordo com Coutinho, a integração operacional numa fusão desse tipo costuma levar de 12 a 18 meses.

Segundo o executivo, o BNDES vai ter uma atitude "mais agressiva na oferta de crédito" por causa da crise. Ele prevê que os desembolsos da instituição este ano superem R$ 85 bilhões. A meta inicial do banco para 2008 era liberar R$ 80 bilhões. Depois, a previsão subiu para R$ 85 bilhões. Coutinho informou que em outubro o banco manteve o ritmo de forte liberação de recursos.

Na avaliação do presidente do BNDES, os efeitos mais sérios da crise serão observados no primeiro trimestre de 2009. "Temos de reagir mais cedo para evitar que os efeitos sejam desnecessariamente onerosos para a economia brasileira." Coutinho deu as declarações em entrevista coletiva no 4º Encontro de Instituições de Crédito Especializadas em Médio e Longo Prazos da América Latina e Europa.

Em discurso, ele disse que interessa aos países desenvolvidos ajudar os países em desenvolvimento porque destes depende o crescimento da economia mundial e a recuperação da crise em prazo mais curto. Coutinho vê cenário de recessão nos países desenvolvidos, seguida por crescimento baixo.

"Não há razão efetiva para que as economias em desenvolvimento não enfrentem a crise. Do Brasil, vamos fazer todo o esforço para que se mantenha o crescimento em taxa satisfatória. Isso é importante para manter o comércio", disse Coutinho. "Duas palavras são importantes: integração e solidariedade", disse, sem, no entanto, comprometer o BNDES a financiar outros países.

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