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Bancos prevêem aperto no país

Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), chamada Projeções e Expectativas de Mercado, feita em setembro mostrou que 78% dos 26 bancos ouvidos avaliam que a crise financeira mundial está na fase intermediária, enquanto 9% acham que está perto do fim. Nesse contexto, 44% consideram que os últimos acontecimentos, que levaram o governo americano a formular um pacote de US$ 700 bilhões para socorrer instituições em dificuldades, vão obrigar o Banco Central (BC) do Brasil a manter o aperto monetário previsto anteriormente.

Agência Estado |

Desse total, 39% acreditam que o BC deve afrouxar a política monetária e 11%, que a crise deve acelerar o ritmo de elevação dos juros.

Segundo o estudo, os principais elementos que podem modificar as previsões sobre o desempenho dos indicadores macroeconômicos do País para 2008 e 2009 são o agravamento da crise nos EUA, a redução da liquidez de capitais em todo o planeta, o desaquecimento da atividade na China e o desempenho dos preços das commodities. No cenário interno, os fatores preocupantes são o descompasso entre a oferta e a demanda, a desvalorização do real ante o dólar e a redução da velocidade da expansão do crédito.

A pesquisa também indicou, pela primeira vez neste ano, a redução na velocidade de expansão do crédito em 2008, de 24,97% para 23,94%. Para o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, esse movimento está relacionado ao aperto monetário adotado pelo BC desde abril e pelo encarecimento do crédito, provocado também pela crise internacional.

Além disso, também pela primeira, diminuíram as projeções para a concessão de empréstimos para pessoas jurídicas. A estimativa de alta recuou da marca de 29,02%, apurada em julho, para 27,14% em setembro. No caso das pessoas físicas, houve uma pequena queda da estimativa de expansão, de 27,51% para 25,20%.

Como as economias mundial e nacional devem desacelerar em 2009, a pesquisa da Febraban apresentou uma diminuição das previsões de alta para a concessão de crédito relativas ao próximo ano. Segundo as projeções, as operações de crédito da carteira total devem apresentar alta de 19,33%, abaixo da elevação de 21,13% apurada em julho. Para os empréstimos para pessoas jurídicas, a velocidade de alta deve diminuir de 22,64% para 20,08%.

No caso dos financiamentos para pessoas físicas, também ocorreu uma redução das projeções dos economistas ouvidos pela entidade. A expansão deve baixar de 22,64% para 20,08%. Esse nível é coerente com a avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, segundo a qual seria mais adequado para a economia brasileira que a expansão do crédito para os consumidores baixasse da faixa próxima de 30% ao ano para um nível ao redor de 20%.

Para Sardenberg, os analistas avaliam que o ritmo de expansão do crédito pode diminuir no próximo ano, mas isso não deve provocar a elevação significativa da taxa de inadimplência computada para um período superior a 90 dias. Em julho, a pesquisa da Febraban apontou que a taxa subiu de 4,26% para 4,41% em 2008.

Mesmo com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) menos vigoroso no próximo ano - de 3,75%, ante os 5,15% projetados pela pesquisa para 2008 -, a inadimplência não subirá muito, pois as estimativas apontam que avançará de 4,02% para 4,32% em 2009.

"A economia vai desaquecer, mas não será num ritmo muito vigoroso, a ponto de reduzir de forma expressiva a renda da população, o que poderia aumentar a inadimplência de modo mais relevante", afirmou o economista-chefe da entidade.

De acordo com a pesquisa da Febraban, a proporção da dívida pública do setor público em relação ao PIB deve recuar de 40,45% para 40,37% em 2008. Contudo, o crescimento do País um pouco menor deve colaborar para elevar esse indicador em 2009, de 38,92% para 39,14% do PIB.

Sardenberg ressaltou que, apesar da redução do nível de atividade do País nos próximos trimestres, o superávit primário não deve ser afetado significativamente, pois a previsão para 2008 baixou de 3,48% para 3,13% do PIB neste ano. "Para 2009, a projeção de superávit primário de 3,25% não registrou alteração e deve se manter neste patamar", comentou.

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