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Bancos pequenos e médios são os maiores beneficiários

Bancos de pequeno e médio porte serão os primeiros beneficiados pelas medidas anunciadas ontem pelo Banco Central (BC). A partir de segunda-feira, instituições desse segmento passam a ter mais R$ 5,2 bilhões em caixa para emprestar e pagar dívidas.

Agência Estado |

Antes da decisão, o dinheiro tinha de ser obrigatoriamente recolhido no BC.

Levantamento feito pelo Estado mostra que 23 instituições desse porte ficarão livres da regra que exige recolhimento extra de parte dos depósitos para a autoridade monetária. Pesquisa realizada com base nos balanços do segundo trimestre mostra que bancos como o Alfa, Sofisa, Daycoval, ABC Brasil, Fibra, Pine e Cruzeiro do Sul estão entre os que deixarão de transferir recursos ao BC. Além desse grupo, outros 77 bancos já estavam liberados e continuam livres do compulsório adicional.

Instituições de pequeno e médio porte são as que mais enfrentavam dificuldades para captar recursos no mercado. Com a crise, o mercado externo estava praticamente fechado para esses bancos e, no Brasil, era cada vez mais caro conseguir dinheiro. "Bancos, sobretudo os pequenos e médios, têm enfrentado muita dificuldade de captação pelo cenário externo. O custo para conseguir o dinheiro tem aumentado bastante e essa medida veio na direção de aliviar o mercado, dar mais liquidez para esses bancos", diz o professor de economia da USP Marcio Nakane.

O especialista diz que instituições desse porte poderiam, eventualmente, ter de reduzir a oferta de crédito como reflexo da falta de dinheiro no mercado. "Outro reflexo mais grave seria uma eventual dificuldade desses bancos para captar dinheiro destinado ao pagamento de dívidas." Apesar dessa possibilidade, ele diz que a chance de uma crise sistêmica provocada por uma eventual falta de liquidez é reduzida.

O professor de finanças do Ibmec São Paulo Domingos Pandeló reforça a tese de que a decisão era necessária, ao afirmar "problemas poderiam ser antecipados ou potencializados" com a falta de liquidez no mercado. "Eventualmente, um banco desses poderia ter de interromper a concessão de crédito porque tem dificuldade para captar. Travar as linhas dessa forma pode causar um efeito cascata negativo no mercado, com o aumento da inadimplência."

Ele ressalta, no entanto, que a dificuldade em conseguir recursos não significa que bancos brasileiros estejam em situação financeira ruim. "Não há problema no setor no Brasil e avalio que o BC tem uma visão bastante clara disso. O que acontece é que a crise internacional diminuiu a oferta de dinheiro disponível, há menos recurso livre que pode ser captado."

Ao ser questionado se essa decisão do BC não vai na contramão da política monetária, que tem elevado o juro, Pandeló diz que o papel do BC é bastante complexo no Brasil. "Ele tem uma função que é fazer a política monetária e a outra de supervisionar o mercado bancário."

Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aperta o juro, "o BC olha para a inflação no médio e longo prazo", diz. "Mas o BC também acompanha a liquidez imediata do mercado e toma uma medida prudencial como essa para evitar problemas. Aparentemente, são medidas contraditórias, mas ele age com objetivos distintos", diz.

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