Instituições financeiras querem solução para os grandes desafios macroeconômicos globais, entre eles a guerra de divisas

Os principais bancos do mundo pediram neste domingo ao Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) que impulsione a cooperação multilateral durante sua próxima reunião em Seul (Coreia do Sul) para solucionar os grandes desafios macroeconômicos globais, entre eles a guerra de divisas. "A cúpula do G20 do próximo mês em Seul precisa impulsionar ações coordenadas para enfrentar os grandes temas econômicos e cambiais", disse hoje o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que congrega mais de 400 bancos.

A associação destacou que existe uma perigosa tendência mundial ao unilateralismo. Nesse sentido, o diretor executivo do IIF, Charles Dallara, declarou hoje em entrevista coletiva que a política monetária de expansão quantitativa (compra de dívida pública por parte do Federal Reserve - Fed, o banco central americano) está sendo aplicada "sem se pensar nas repercussões no resto do mundo".

O vice-presidente emérito do IIF, William Rhodes, destacou também que o débil crescimento dos Estados Unidos não pode ser solucionado apenas com política monetária e é preciso considerar outras medidas, como o estímulo fiscal. "A política monetária não pode solucionar tudo", ressaltou. Essas medidas provocaram uma depreciação contínua do dólar e, como consequencia, de algumas moedas asiáticas, algo que o Brasil e outros países denunciaram, já que reduz a competitividade.

Por sua vez, Dallara afirmou hoje que as tensões cambiais atuais refletem desequilíbrios estruturais de fundo nas grandes economias mundiais. Além dos desequilíbrios econômicos, o IIF ressaltou que também é necessário agir de forma coordenada para que haja uma reforma financeira. Nesse sentido, o presidente do Deutsche Bank e diretor do IIF, Joseph Ackerman, declarou que na Europa há vários países que discutem a imposição de impostos ao setor financeiro. "Nosso desejo é que haja um só imposto para toda a União Europeia", disse Ackerman.

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