SÃO PAULO - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje que, diferente do que acontece nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o sistema bancário brasileiro não apresenta problemas de solvência, mas sim de liquidez. Por este motivo, segundo ele, é que o governo vem tomando medidas que visam facilitar o acesso dos bancos a opções de funding, seja para crédito local ou linhas de comércio exterior.

Com o agravamento da crise internacional, a captação de dólares no exterior está cada vez mais difícil e cara, o que deixa em situação complicada as instituições e empresas que necessitam da moeda para tocar suas operações. Além disso, a queda das projeções para o crescimento mundial vem derrubando os preços das commodities, protagonistas da pauta de exportações brasileira. Como resultado, além da escassez, a valorização do dólar ante o real torna as captações ainda mais custosas para os bancos e empresas brasileiros.

Compartilhando a opinião de Meirelles, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avalia que a crise internacional passa por seu momento mais agudo, em que os bancos internacionais estão efetivamente revelando o tamanho das perdas ocasionadas pela exposição a créditos podres. Mesmo acreditando que o "pior momento" deverá ser dissipado pelas injeções de recursos anunciadas pelos governos mundo afora, Mantega disse acreditar que a crise continuará por um longo período e que "certamente" o crédito ficará mais escasso e custoso.

Sobre a forte queda observada no mercado acionário brasileiro, Mantega apenas lamentou o fato, "inevitável" na sua visão. Mesmo assim, fez questão de salientar a solidez dos bancos e empresas brasileiras, além da "satisfatória" ação do governo no combate aos efeitos da crise.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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