Os bancos nos países ricos já sofreram prejuízos que superam US$ 1 trilhão desde a eclosão da pior crise financeira dos últimos 60 anos. Desde a quebra do Lehman Brothers em setembro, bancos como UBS, Credit Suisse, Dexia e Deutsche Bank foram obrigados a reconhecer suas perdas bilionárias e demitir milhares de pessoas.

Os dados fazem parte de relatório confidencial preparado pela Comissão Europeia para orientar os 27 países membros sobre a crise. De acordo com o levantamento obtido pelo Estado, as perdas para os bancos americanos já somam US$ 738 bilhões, ante outros US$ 294 bilhões na Europa.

Reestruturações ainda obrigaram os bancos a demitir 280 mil funcionários desde a eclosão da crise. Para a Associação de Funcionários dos Bancos Suíços, o número de demissões pode ultrapassar 300 mil ainda neste semestre. No bairro dos bancos de Genebra, uma das principais praças financeiras do mundo, funcionários de instituições admitem que o clima é de depressão. "Ninguém sabe quem será o próximo a ser demitido ou se voltará do fim de semana e será informado de que não tem mais trabalho", diz Jean-Claude Blaise, bancário que há 20 anos trabalha no mercado financeiro suíço.

A UE admite em seu relatório que o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a indicar que a perda potencial seria ainda o dobro do que já ocorreu. Os bancos europeus têm uma exposição de cerca de US$ 1,6 trilhão no mercado do Leste Europeu. Uma eventual quebra de economias como Hungria e Ucrânia pode fazer desmoronar parte do sistema financeiro europeu.

Nos balanços de recursos dos bancos europeus, a Comissão indica que há cerca de 41 trilhões depositados. Mas as dívidas corporativas da Europa representam 95% do PIB da região. Nos EUA, a taxa é de 50%. Não por acaso, a Comissão Europeia teme que uma eventual nova onda de pacotes para salvar os bancos da região leve a um default (calote) nos governos nos próximos anos, realidade que era conhecida apenas nos países emergentes.

Na Europa, o déficit público da Irlanda já chega a 12% do PIB, ante 10% no Reino Unido e Espanha. Enquanto isso, os prejuízos dos bancos estão se transformando em verdadeiras tragédias nacionais. Na Suíça, o volume de dinheiro retirado dos bancos por clientes já é equivalente a 50% do PIB do país. O UBS registrou perdas de US$ 17 bilhões em 2008, o maior tombo de uma empresa na história da Suíça. Na Alemanha, o CEO do Commerzbank, Martin Blessing, saiu em defesa da tese de que bancos não devem pagar bônus a seus executivos caso estejam dando prejuízos. "Uma empresa com prejuízos não pode ter espaço para distribuir bônus", diz. O Commerzbank recebeu 18,2 bilhões de euros do governo para se manter. Em um ano, as ações dos maiores bancos do mundo já perderam em média 40% de seus valores, segundo o índice BKX Bank Index. Alguns, como o UBS, tiveram 70% de queda em suas ações. As informações são de o jornal O Estado de S. Paulo.

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