Tamanho do texto

Os bancos brasileiros parecem ter descoberto uma estratégia há muito tempo adotada pelas grandes lojas de varejo: a oferta de prêmios para manter ou aumentar a sua carteira de clientes. O Itaú, por exemplo, oferece mimos a quem indicar novos clientes.

Os bancos brasileiros parecem ter descoberto uma estratégia há muito tempo adotada pelas grandes lojas de varejo: a oferta de prêmios para manter ou aumentar a sua carteira de clientes. O Itaú, por exemplo, oferece mimos a quem indicar novos clientes. A sugestão de um nome vale um CD com coletânea de sucessos do cantor e compositor Roberto Carlos, além de outras opções como um porta canetas. A escala de brindes vai até 20 nomes, que dá direito a um jogo de panelas ou a um rádio relógio, entre outros. O Banco do Brasil (BB) sorteia prêmios entre R$ 1,5 mil e R$ 100 mil em dinheiro, além de TVs LCD e casas aos que mantiverem um saldo médio igual ou superior a R$ 250 no fundo de renda fixa LP100, com aplicação mínima inicial de R$ 100 e taxa de administração de 2,47% ao ano. Para clientes com saldo médio superior a R$ 5 mil no fundo de renda fixa Grande Prêmio, o Santander realiza sorteios mensais de prêmios em dinheiro, além oferecer viagens para a Europa e kits com bonés e camisetas da escuderia de Fórmula 1 Ferrari (veja quadro). A taxa de administração é de 1,6% ao ano e a aplicação mínima é de R$ 5 mil. Segundo Flávio Panhoni, professor de Finanças da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), o indicado para possível novo correntista de um banco deve analisar as condições do contrato, como valores de pacotes de serviços, as taxas de custo das linhas de crédito bem como da rentabilidade das aplicações. Quanto à aplicações em renda fixa, Panhoni afirma não serem estas as melhores pedidas no momento. "Este ano o rendimento líquido deve chegar a 8%. Taxas de administração entre 1,6% e 2,47% reduzem o ganho para algo entre 5,5% e 6,5%, muito próximo do que deve render a poupança, com liquidez imediata e sem taxas", explica. O economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, classifica a oferta de prêmios e os sorteios como jogadas de marketing popularizadas pelas lojas de varejo. "As redes populares utilizam desta estratégia há muito, mas entre os bancos ainda é novidade", afirma o especialista. Fernando Galdi, professor de Finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), reitera que decisões sobre aberturas de contas e investimentos devem ser balizadas pelos valores das tarifas dos serviços e pelo retorno dos investimentos. "Nunca por prêmios", diz o professor. Para Galdi, após as recentes aquisições e fusões do mercado bancário brasileiro - com o BB comprando a Nossa Caixa, o Itaú fundindo-se com o Unibanco e o Santander adquirindo o Banco Real - ganhar clientes tornou-se algo mais difícil porque os produtos oferecidos são bem semelhantes. "Para fazê-lo, eles são obrigados a buscar novas estratégias, entre as quais os prêmios", conta. Andres Veloso, integrante do Grupo de Estudos de Marketing (Promark), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP), ressalta que muitos novos clientes são atraídos apenas pelo prêmio. Ele crê, porém, que indicar alguém a um banco é dar muita responsabilidade a um amigo ou conhecido apenas por conta de um presente de baixo valor. "Mudar de banco ou abrir nova conta é uma decisão trabalhosa e requer a análise de vários fatores", lembra. Aquiles Mosca, superintendente de Investimentos do Santander, diz ter sido criado um fundo com objetivo de associar a imagem do banco à equipe Ferrari de Fórmula 1, patrocinada pela instituição. "A taxa de administração é relativamente menor que os outros produtos que oferecemos." O Itaú não respondeu se para ganhar o prêmio pela indicação do cliente é preciso que a abertura de conta se efetive, e o BB também não atendeu à reportagem.
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.