O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse hoje ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que as instituições financeiras estão catalisando a crise no Brasil por conta das altas taxas que vêm cobrando dos tomadores de empréstimo. Estes juros que estão sendo cobrados são um catalisador para a crise, afirmou.

Skaf relatou o episódio a jornalistas após almoço com Meirelles e o presidente da Coréia do Sul, Lee Myung Bak, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Na avaliação de Skaf, o BC tomou medidas corretas para assegurar a saúde do sistema financeiro, como a liberação dos depósitos compulsórios e criação de linhas para bancos que devem ser direcionadas às exportações. Para ele, estas linhas serviram para irrigar o mercado e já houve melhora nesse sentido, mas, de acordo com o presidente da Fiesp, o custo ainda segue alto. "Não adianta a empresa tomar e quebrar. Ou não tem o recurso ou, quando tem, está com um custo que é melhor não tomar. Isso é jogar um catalisador da crise no Brasil", argumentou. "O setor financeiro está brincando com coisa séria. Está jogando um catalisador na crise brasileira", reforçou.

Skaf explicou que estas reclamações foram feitas diretamente a Meirelles. "Disse que o Banco Central precisa conversar com estes bancos, inclusive com o Banco do Brasil", afirmou, acrescentando que o banco estatal, neste momento de turbulência, tem mais obrigações com o País. De acordo com Skaf, Meirelles deu razão à reclamação. Após discurso mais cedo, durante o 4º Congresso de Jovens Empreendedores, na própria federação, Meirelles almoçou no local, mas não conversou com a imprensa.

Juros

As reclamações de Skaf, segundo ele mesmo, não ficaram restritas aos bancos. O presidente da Fiesp comentou que "precisava ser feita alguma coisa em relação aos juros", independente da taxa básica, a Selic. Ele citou que a inflação na Coréia do Sul será de até 5% este ano e que os juros básicos daquele país estão em 2,4% ao ano. No Brasil, a inflação será de 6%, segundo o presidente da Fiesp, e a taxa básica está em 13,75% anuais. "Não há dúvidas de que é preciso baixar a Selic. No mundo inteiro os juros caem", comparou.

Para o presidente da Fiesp, no entanto, o ponto crucial do momento diz respeito ao spread bancário (diferença entre a taxa de juros cobrada pelos bancos em um empréstimo e o custo de captação). Ele apresentou um levantamento semanal, realizado pelo próprio Banco Central, especificamente dos dias 29 de outubro a 4 de novembro. Nesse período, de acordo com o levantamento, o Banco Real cobrava para adiantamento de contrato de câmbio (ACC) variação cambial mais 18,2% ao ano. "Isso é altíssimo", avaliou. No mesmo período, o Banco Itaú cobrava variação cambial mais 21,6% ao ano, enquanto o Unibanco mais 12,5% e o Banco do Brasil, 8,7%. Já o Bradesco cobrava 6,3% mais variação e o Santander, 7,1%. "A origem do funding (fonte de captação de recurso) é a mesma. A pergunta que faço é a seguinte: por que um banco pode cobrar 6,3% e o outro tem que cobrar 21,6%", questionou.

Perguntado se essa reclamação não era improcedente, já que os bancos atuam no livre mercado, assim como a indústria, e, portanto, o tomador poderia buscar o menor custo para obter financiamento, Skaf argumentou que é difícil para uma empresa alterar o banco com o qual trabalha de uma hora para outra. "Para uma empresa, mudar de banco é complicado." Ao final da entrevista, o presidente da Fiesp disse que a reclamação também será feita individualmente a cada instituição financeira.

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