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O economista Fernando Montero, da Corretora Convenção, acredita que o sistema financeiro brasileiro esteja capitalizado e tenha uma grande carteira de títulos compromissados com o Banco Central (BC). Caso necessário, os bancos poderão trocar os títulos por dinheiro para cobrir a escassez de crédito externo e até suprir a demanda de empresas afastadas do financiamento externo.

O quadro pode ser bem diferente se a aversão ao risco se enraizar no País. Os bancos podem decidir não emprestar mais dinheiro e comprar títulos públicos, reduzindo a moeda na economia. "No curtíssimo prazo, é o que parece que está ocorrendo, refletido na forte escalada nas operações compromissadas do BC."

Mas, no médio prazo, os bancos podem retomar a confiança, se desfazer dos títulos e voltar a emprestar, reativando os canais de multiplicação de crédito. Se essa for a aposta do BC, ele poderá optar por administrar no curto prazo a liquidez apenas com o depósito compulsório dos bancos, sem precisar reduzir os juros e correr o risco inflacionário. "É razoável imaginar que a duração do ciclo de alta seja menor. Daí a imaginar que se encerrou, porém, há uma longa distância", diz o economista Fábio Giambiagi. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.