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Bancos centrais se mostram impotentes para impedir a escassez de crédito

A escassez do crédito, que continua se agravando nesta quarta-feira e atinge uma extensão preocupante, revela a impotência dos bancos centrais para normalizar a situação apesar dos milhões de dólares injetados no sistema financeiro mundial.

AFP |

"É preciso salvar o soldado crédito", poderia ser o lema dos bancos centrais, que enfrentam a escalada das taxas de juros interbancários.

Devido à insuficiência da oferta de crédito, as taxas interbancárias seguiam subindo nesta quarta-feira. A taxa interbancária para três meses oferecida em Londres (Libor), freqüentemente empregada como referência, subiu para 4,15% contra 4,05% na véspera. No dia 15 de setembro, antes do anúncio do colapso do banco de negócios norte-americano Lehman Brothers, não passava de 2,82%.

"O mercado bancário está virtualmente fechado para os vencimentos para depois desta semana, o que coloca em perigo o refinanciamento dos bancos", ressalta Stéphane Deo, economista da UBS.

Se esta situação se mantiver, a quebra ameaçará os bancos mais enfraquecidos pela crise financeira. E as taxas de juros propostas às empresas e às pessoas comuns subirão, ameaçando a atividade econômica.

Até o momento, a resposta dada pelos bancos centrais foi injetar liquidez de forma maciça no sistema, esperando que esses recursos sejam convertidos em empréstimos. E aguardam que isso ocorra com angústia, sem poder substituir um setor bancário combalido.

O Federal Reserve aumentou seus aportes de maneira substancial. Na segunda-feira, a linha de crédito concedida a outros bancos centrais para permitir que emprestem dólares chegou a mais que duplicar, a 620 bilhões de dólares, mas essa ação não reduziu os temores.

"O Fed, ele mesmo sem alento, tenta lançar um plano de resgate para a Europa", ironizou Bill King, da Ramsey King Securities.

Para onde vai esse dinheiro? Pode parecer absurdo, mas os bancos centrais vêem essa liquidez voltar sob a forma de depósitos, porque os bancos temem se prejudicar emprestando entre si e preferem deixar o dinheiro em uma conta no banco central à espera de dias melhores.

O Banco Central Europeu também concedeu nesta quarta-feira 70,9 bilhões de euros, a uma taxa marginal de 3,25%. Mas na véspera, havia "aceitado 45 bilhões em sua 'facilidade de depósito' remunerado a 3,25%", ressaltou Deo.

"Os bancos centrais são os únicos fornecedores de dinheiro ao mercado neste momento, porque ninguém mais empresta. Dessa forma, os bancos se inclinam cada vez mais para a insolvência, obrigando os governos a salvá-los", ressalta Liz Sanders, especialista do Charles Schwab and Co.

A demanda de liquidez dos bancos parece insaciável, e sua oferta de crédito se reduz. Até agora, nenhum banco central encontrou uma solução para essa equação, o que coloca sua credibilidade em perigo.

Este fracasso do sistema de alimentação de liquidez do Federal Reserve começa a suscitar ironia.

"Nós que acreditamos no liberalismo permitimos que o preço do capital, ou seja, a taxa de juros, seja fixado por um comitê central de acordo com os objetivos do governo. Também poderíamos ressuscitar o Gosplan, antigo comitê soviético de planejamento", comentou terça-feira a editorialista do Wall Street Journal, Judy Shelton.

hh/dm

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