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Vários bancos centrais do mundo, liderados pelo Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE), reduziram nesta quarta-feira suas principais taxas de juros para enfrentar a crise.

O BCE, o banco central do Canadá, o Banco da Inglaterra, o Fed, o banco central sueco e o Banco Nacional da Suíça baixaram suas taxas em uma ação conjunta, anunciando a medida em comunicados simultâneos.

O corte é de meio ponto percentual em todos os países exceto na Suíça, onde a redução foi de 0,25%.

A amplitude da ação não tem precedentes e seu anúncio deu um fôlego inicial às Bolsas mundiais, em queda livre desde segunda-feira, mas a recuperação ainda se mostra difícil.

Na zona euro, a taxa diretriz passou de 4,25% para 3,75%, nos Estados Unidos ficou em 1,5%, na Grã-Bretanha em 4,5% e na Suécia em 4,25%.

O Banco do Japão não se uniu à baixa das taxas mas manifestou seu apoio à medida coordenada.

Os japoneses destacaram que não podiam se permitir corte nas taxas, que já estão em 0,5%.

O banco central chinês, que não integra oficialmente a medida conjunta, se uniu no entanto a ela e decidiu também reduziu suas taxas para empréstimos a um ano.

A última ação coordenada parecida foi em setembro de 2001, quando o BCE e o Fed baixaram suas taxas juntos, e foram imitados pelos demais grandes bancos centrais do mundo, para conter o pânico gerado pelos ataques terroristas.

"A ação inédita desta quarta-feira obedece à recente intensificação da crise financeira", segundo comunicado publicado pelo BCE.

A crise aumentou os riscos para o crescimento e reduziu os riscos altistas para a estabilidade dos preços, acrescentou.

Em seu comunicado, o BCE, ainda preocupado com a inflação, destacou no entanto que "continua sendo imperativo evitar os efeitos da segunda rodada", ou seja, os riscos de uma espiral inflacionária provocada sobretudo por aumentos de salários.

O Fed americano reduziu sua taxa básica em meio ponto, a 1,5%. A taxa diretriz vinha sendo mantida a 2% desde abril.

Além disso, reduziu em meio ponto sua taxa de desconto, que serve para operações de refinanciamento excepcional, e a levou a 1,75%.

O presidente do Fed na agência de Filadélfia, Charles Plosser, disse nesta quarta-feira que o corte dos juros levará pelo menos nove meses para ter efeito sobre a atividade econômica.

"O efeito de uma queda das taxas sobre a atividade econômica pode não ser notado antes de nove meses", declarou Plosser, segundo texto de um discurso agendado no Conselho para as Relações Exteriores, grupo de reflexão com base em Nova York.

"As mudanças de política monetária podem afetar a atividade econômica real, como a taxa de desemprego ou o crescimento da produção, mas só temporariamente e com um grande nível de incerteza sobre sua data de efeito e a amplitude deste", disse Plosser no texto do discurso divulgado antecipadamente.

"Na realidade, o único efeito que uma política monetária sadia pode ter a longo prazo é sobre a taxa de inflação", acrescentou.

A China anunciou que cortará sua taxas de juros para empréstimos a um ano em 27 pontos de base a partir de quinta-feira, em um esforço por estimular o crescimento econômico.

Esta é a segunda baixa das taxas anunciada pelo banco central chinês em um mês.

A instituição decidiu ainda um corte equivalente das taxas de juros para os depósitos a um ano.

Além disso, anunciou uma baixa da taxa de reservas obrigatórias dos bancos de meio ponto percentual a partir de 15 de outubro.

len-mtr/lm

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