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A oposição usou um atalho ontem para pôr o escândalo da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) sob os holofotes do Congresso. A Comissão de Direitos Humanos do Senado, negligenciada pela tropa governista, serviu para aprovar a convocação do tesoureiro do PT e ex-presidente da cooperativa João Vaccari Neto, do doleiro Lúcio Funaro, do advogado da Bancoop, Pedro Dallari, e do promotor José Carlos Blat.

A ideia é ouvir cada um deles em dias separados. As datas ainda não foram definidas. Como se trata de convocação em comissão, eles não são obrigados a comparecer.

Em reunião de mais de três horas, os senadores também aprovaram a criação de comissão para checar a situação de cooperados lesados pela Bancoop. Alguns deles estiveram no Senado narrando seus dramas para os senadores. A comissão, ainda sem número definido de parlamentares, deverá ir a São Paulo nos próximos dias vistoriar obras abandonadas e atrasadas da cooperativa. A intenção é que essa vistoria ocorra antes do depoimento de Vaccari, Funaro e Dallari.

Reportagem do Estado publicada na semana passada mostrou que pode passar de R$ 100 milhões o total do desvio de recursos da Bancoop, segundo cálculo de Blat, da 1.ª Promotoria Criminal da Capital. Blat está convencido de que uma fatia do montante foi destinada a campanhas eleitorais do PT.

Robocoop. O escândalo da Bancoop dominou a reunião da Comissão de Direitos Humanos e avançou pelos corredores do Congresso. O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) chegou a apelidar a Bancoop de "robocoop", numa alusão às suspeitas de desvios que recaem sobre a cooperativa. Senadores da oposição reforçaram a necessidade de investigar o caso.

"Segundo o promotor Blat, o desvio da Bancoop serviu para financiar a campanha do presidente Lula. O que querem (petistas e governistas) é que o ano da eleição absolva criminosos e corruptos. Mas não vamos permitir", disse Álvaro Dias (PSDB-PR).

Enquanto os senadores ouviam declarações emocionadas de vítimas da Bancoop na comissão de Direitos Humanos, a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), defendia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a centralização das apurações na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização.

Ideli acusou a oposição de tentar paralisar o Senado com o tema e trazer para dentro das respectivas comissões "um problema que nada tem a ver com suas finalidades". "Não podemos aceitar o que a oposição pretende, que é paralisar as atividades do Senado, trazer a campanha eleitoral cá para dentro e, para isso, sabotar a atividade legislativa, manietando as comissões temáticas", afirmou. A oposição é minoria nas comissões, inclusive na de Direitos Humanos, mas aproveitou o descuido da base para aprovar as convocações. Os governistas costumam "vigiar" as comissões mais visíveis e importantes, como a CCJ.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), seguiu o tom de Ideli. "O Senado não pode parar. E escândalos não faltam no País. Há o mensalão do DEM em Brasília, o caso da governadora Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Não podemos apurar tudo isso aqui", disse.

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