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Banco sobe spread temendo calote, mas BC vê inadimplência estável

BRASÍLIA - Apesar da trajetória de alta dos juros, o crédito bancário total segue crescendo a taxas anuais acima de 30%. Os bancos aumentaram o spread em julho, embutindo riscos da puxada de custos. Mas o Banco Central (BC) vê a inadimplência estável e os bancos agindo com prudência, já que o nível de provisões contra calotes também subiu.

Valor Online |

De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a inadimplência tende a ficar estável. Só deve subir se houver uma busca maior por operações de custos mais elevados, como pelo cheque especial, que em julho subiu a 162,7% ao ano, a taxa mais alta desde agosto de 2003 (163,9%).

A taxa média dos empréstimos com parcelas atrasadas por mais de 90 dias subiu de 4,0% para 4,2%. Houve aumento de 0,3 ponto percentual na inadimplência de pessoas físicas sobre junho, passando à média de 7,3%.

Até agora está estável, mesmo com essa pequena oscilação, comentou Lopes. Ele lembrou que alguns bancos têm ampliado os prazos de pagamento, para acomodar a alta do custo no orçamento do tomador. O prazo médio para pessoa física subiu um dia em julho, para 467 dias corridos.

Outro indicador é o volume de provisões dos bancos contra riscos de calote, que teve aumento mensal de 2,2%, para R$ 56,92 bilhões. O valor representa 5,2% dos empréstimos totais (exceto operações entre instituições financeiras), a mesma relação verificada em junho, e a menor do ano. Em janeiro de 2007, as provisões equivaliam a 6,3% do crédito total.

Os bancos, porém, parecem não dividir a despreocupação da autoridade monetária sobre a inadimplência, e elevaram o spread (diferença entre os custos de captação e dos empréstimos). A taxa geral cresceu 1,1 ponto sobre junho, para 25,6% anuais, com mais peso sobre o spread nas operações de pessoas físicas, que pularam de 34,7% em junho para 36,6%. Para pessoas jurídicas, o spread médio passou de 13,9% para 14,5% ao ano.

Com a alta do custo, os bancos tomam mais cuidado em relação aos tomadores, comentou Lopes, e sobem o spread por causa do maior risco. O custo médio de captação passou de 13,5% para 13,8% anuais.

Ele comentou ainda que, mesmo com o juro bancário crescente, seguindo a alta da taxa básica Selic desde abril, é pequena a chance de desaceleração no ritmo de expansão do crédito. Com a renda real também em crescimento, a tendência é que os brasileiros continuem buscando empréstimos para o consumo, admitiu.

Não dá para falar em desacelerações profundas, disse Lopes, porque tem até ocorrido alguma desaceleração, mas de forma lenta.

O BC mantém a previsão de que o estoque de crédito bancário se elevará a 40% do Produto Interno Bruto (PIB) ao fim de 2008. Em julho, essa relação atingiu a marca histórica de 37% do PIB, com R$ 1,086 trilhão.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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