SÃO PAULO - O Safra Banco de Investimento iniciou a cobertura dos papéis da WEG, fabricante de motores elétricos, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 20,60 ao fim de 2010. O valor representa um potencial de valorização de 10,8% sobre o preço de fechamento de ontem.

No ano passado, a companhia lucrou R$ 548 milhões. Para este ano, o Safra estima lucro líquido de R$ 635 milhões, o que representará um crescimento de aproximadamente 16%.

Já a receita líquida prevista para 2010 corresponde a R$ 4,484 bilhões, alta de 6,5% ante os R$ 4,211 bilhões registrados no ano passado.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e apreciação (Ebitda, na sigla em inglês) da WEG deve somar R$ 1,079 bilhão neste exercício, crescimento de 29% ante 2009.

"Apesar do momento positivo para a indústria de bens de capital, com a perspectiva de crescimento da economia brasileira em torno de 5,6% em 2010 e investimentos em formação bruta de capital de aproximadamente 20% do PIB, acreditamos que o atual preço das ações da WEG já contempla a maior parte deste cenário", ressaltou o Safra, em relatório assinado pelos analistas Cassio Lucin e Caroline Dalago.

Para a instituição, os "maciços" investimentos em formação bruta de capital deverão continuar a impulsionar o crescimento das receitas da companhia, dando base para que ela registre crescimento de receita de dois dígitos nos próximos anos.

Ao analisar a situação da companhia neste ano, o Safra observa que o segmento de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD) deverá permanecer mais fraco, como resultado da recente desaceleração da economia "que adiou ou até mesmo cancelou projetos neste setor".

O banco assinala, entretanto, que o segmento de GTD deverá reagir no longo prazo, com novos pedidos sendo adicionados à carteira de projetos, com o aumento da demanda por energia elétrica no mercado doméstico, em função do maior crescimento econômico.

"Em nosso modelo, assumimos que essa divisão irá se recuperar e será responsável por 33% a 34% da receita líquida a partir de 2012, seguindo os altos investimentos em GTD", aponta a instituição.

Entre os aspectos negativos que cercam a situação da empresa, o Safra destaca que os mercados europeu e americano deverão se manter em um ritmo mais fraco no curto prazo quando comparado a países de economias emergentes.

"Todavia, a expectativa é de que a receita de exportação atinja aproximadamente 43% no longo prazo, como consequência de um crescimento mais elevado em países como Índia e China", pontua o banco.

Entre os principais riscos para os investidores, o Safra cita a desaceleração da economia, a escassez de crédito para o setor privado, a elevação do preço das commodities, a presença de competidores internacionais e a apreciação da moeda brasileira.

Há pouco, os papéis ON da WEG recuavam 1,07%, cotados a R$ 18,40.

(Beatriz Cutait | Valor)

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