Segundo vice-presidente da instituição para a região e o Caribe, crescimento econômico acelerado pode se transformar num problema

Madri - O crescimento econômico em alguns países da América Latina está acelerando até o ponto que o superaquecimento e as bolhas de ativos poderiam se transformar em um problema, disse hoje a vice-presidente do Banco Mundial para a região da América Latina e o Caribe, Pamela Cox. O possível superaquecimento "é um problema nos países que vão bem, particularmente no Brasil e na Argentina," afirmou Cox em entrevista à agência Efe.

Ela estima que o superaquecimento também poderia ser um problema para o México e Peru. "Está exercendo pressão sobre as taxas de câmbio. Também estamos preocupados pelas bolhas de ativos nestes países", assinalou Cox.

Uma possível bolha imobiliária e as ações no Brasil são assuntos de especial interesse, disse. "Não preocupa demais, mas acho que deveríamos observá-los. A taxa de câmbio no Brasil é bastante forte. O país está atraindo muito capital", esclareceu Cox. Países como o Brasil, no entanto, estão adotando as políticas corretas em matéria monetária e fiscal para evitar um possível superaquecimento, apontou um porta-voz do Banco Mundial.

A organização financeira prevê que a economia da América Latina crescerá 4% este ano, disse Cox. No caso do Brasil, considera que o PIB crescerá mais de 5%, "provavelmente mais acerca dos 6%" em 2010, explicou a vice-presidente. O México pode crescer por sua vez 5% este ano e o Chile entre 4% e 5%, enquanto a Venezuela pode se retrair em 2010, acrescentou.

Para resistir aos efeitos do fortalecimento da moeda, o Brasil também tem intenção de aplicar medidas para aumentar sua produtividade, ressaltou Cox. Ela falou de investimentos necessários para melhorar a infraestrutura para levar produtos aos portos a um preço menor. No entanto, apesar dos desafios, a América Latina até agora superou a crise bastante bem, apontou Cox, e acrescentou que a atual crise financeira nos países periféricos da zona do euro tem um impacto direto muito limitado na América Latina, já que só 5% das exportações da região acabam na Europa.

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