Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Banco do Japão reduz taxas de juros pela primeira vez em mais de sete anos

Tóquio - O Banco do Japão (BOJ, banco central) reduziu hoje as taxas de juros pela primeira vez em mais de sete anos, de 0,5% para 0,3%, para combater o impacto da crise global, cada dia mais forte na economia japonesa.

EFE |

Desta forma, o órgão se soma aos cortes de juros estipulados recentemente por entidades emissoras como o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE), algo a que havia resistido até agora.

No entanto, a decisão foi muito discutida, pois os membros do comitê monetário do BOJ empataram em quatro votos sobre a necessidade de reduzir o valor da moeda em um país onde ela já estava muito baixa. Porém o governador da instituição, Masaaki Shirakawa, desempatou e a taxa foi reduzida.

É a primeira vez que o BOJ diminui a taxa interbancária no Japão desde março de 2001, quando a deixou em zero durante seis anos até que, em junho de 2006 e depois em fevereiro de 2007, decidiu elevá-la de novo, cada vez em 0,15 ponto percentual.

Esta decisão acontece no final de um mês em que o índice Nikkei da Bolsa de Valores de Tóquio caiu para seu nível mais baixo desde 1982 - esta segunda-feira, embora posteriormente tenha se recuperado - e em que o iene se valorizou com força frente ao dólar e ao euro.

A redução, um pouco inferior a 0,15 ponto percentual previsto pelos analistas, não teve efeito positivo na Bolsa de Tóquio, que ontem já descontava a medida e que hoje fechou com queda de 5%.

"A crescente fraqueza na atividade econômica do Japão continuará por alguns trimestres, com queda das exportações. Também persiste o efeito de aumentos anteriores do preço da energia e dos materiais", disse o BOJ em comunicado.

Em um relatório, o banco central diminuiu drasticamente sua previsão de crescimento para o Japão em 2008 e 2009, embora não tenha chegado a prever uma recessão, da qual os analistas falam abertamente.

Para o ano fiscal atual, que termina em março do próximo ano, o BOJ prevê um crescimento mínimo de 0,1%, contra 1,2% calculado em julho, enquanto para 2009 espera um aumento de 0,6%, frente ao cálculo anterior de 1,5%.

O Produto Interno Bruto (PIB) japonês se contraiu 3% entre abril e junho e todos os indícios apontam para uma queda também no trimestre seguinte, o que significa tecnicamente que a segunda economia do mundo está em recessão.

Hoje foi divulgado que as despesas médias mensais das famílias japoneses caíram 2,3% em setembro, mês em que o superávit comercial do Japão caiu 94,1%, com algumas exportações, até agora motor da segunda economia do mundo, que cresceram apenas 1,5%.

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, apresentou ontem um novo plano de estímulo fiscal no valor de US$ 51 bilhões para que o país possa amenizar a atual "tempestade financeira" que está provocando fortes quedas nos lucros empresariais.

A decisão tomada hoje pelo BOJ favorece o Governo, apesar do próprio ministro da Economia, o veterano Kaoru Yosano, ter reconhecido esta semana que pode possuir um efeito mínimo, pois as taxas de juros já estavam muito baixas no país.

Há apenas duas semanas Shirakawa era contra a diminuição das taxas de juros no Japão, mas as pressões - do Governo ou da própria situação econômica interna - parecem tê-lo feito mudar de opinião.

Leia também

 

Para saber mais

 

Serviço 

 

Opinião

Leia tudo sobre: japao juros

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG