Depois do Federal Reserve (Fed, banco central americano), o Banco do Japão (BoJ) reduziu suas taxas de juros a um nível próximo de zero para tentar relançar a segunda economia mundial, mas isso não bastou para animar os mercados diante da deterioração da conjuntura.

Para conter a alta do iene, que castiga fortemente os exportadores japoneses, o Banco do Japão reduziu sua taxa básica ao nível simbólico de 0,1%, contra 0,3% de antes, retornando praticamente à política de taxa zero praticada entre 2001 e 2006.

Terça-feira, o Fed já havia adotado uma medida similar, fixando sua taxa diretriz entre 0% e 0,25%.

A decisão do BoJ foi comemorada pelo governo japonês, que anunciou uma previsão de crescimento econômico nulo para o ano fiscal 2009-2010 (de abril a março), em razão da queda das exportações ligada à crise financeira mundial.

Os mercados reagiram com menos entusiasmo. Após um breve sobressalto, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio terminou a sessão em baixa de 0,91%. O iene, que subiu fortemente em relação ao dólar após a decisão do Fed terça-feira, continua muito firme nesta sexta-feira na Ásia.

Os mercados europeus abriram em baixa: às 10H20 (09H20 GMT), Paris perdia 1,32%, Londres 1,17% e Frankfurt 0,91%.

O clima geral continua muito sombrio, com séries diárias de más notícias.

Na Itália, as encomendas à indústria despencaram 12,2% em outubro em um ano.

Para a França, o Insee prevê recessão já no início de 2009, além de um aumento do desemprego, que deve chegar a 8% em média no segundo trimestre de 2009.

Após um pequeno avanço do Produto Interno Bruto de 0,1% no terceiro trimestre de 2008, o instituto de estatística previu um recuo de 0,8% no último trimestre, seguido de uma nova queda de 0,4% no primeiro trimestre de 2009.

O ânimo dos industriais franceses caiu ainda mais em dezembro, atingindo um nível baixo histórico.

A ministra das Finanças Christine Lagarde indicou no entanto que esperava um crescimento entre 0,2% e 0,5% em 2009.

"Com certeza houve uma degradação importante do clima dos negócios, mas houve também um plano de retomada francês com efeitos que estimamos em alta de 1% do PIB, e os efeitos na França dos planos de retomada decididos nos países da União Européia que calculamos em alta de 0,5%", disse à AFP.

Seis países europeus devem assim anunciar novos planos de retomada no início de 2009, destacou Lagarde ao final de uma reunião informal com seus colegas da UE em Paris na noite de quinta-feira.

A Alemanha deve adotar um segundo plano de resgate econômico de um total de 40 bilhões de euros (57 bilhões de dólares), segundo o site da revista Der Spiegel. Esta soma será destinada principalmente a investimentos em massa em infra-estrtuturas públicas e diminuiçõs de impostas.

Nos EUA, de acordo com o Wall Street Journal, o plano de retomada do presidente eleito Barack Obama (que assumirá suas funções no dia 20 de janeiro) atingirá um montante de entre 675 e 775 bilhões de dólares.

A crise tem conseqüências de efeito dominó em todos os setores.

A segunda companhia aérea japonesa, All Nippon Airways (ANA), adiou sem prazo determinado sua decisão de comprar aviões de grande porte Airbus A380 ou Boeing B747-8.

Com a queda da atividade no setor automobilístico, o conglomerado alemão Thyssenkrupp vai adotar medidas de redução do tempo de trabalho na divisão de aço que podem afetar até 20.000 empregados.

bur-far/lm

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