A fusão entre o Itaú e o Unibanco deve levar o Banco do Brasil (BB) a assumir uma postura mais agressiva e acelerar a compra da Nossa Caixa, Banco de Brasília (BRB) e Banco do Estado do Piauí (BEP).

Outras oportunidades de negócios também estão sendo analisadas pelo BB, segundo fontes da área econômica. A perda da liderança do BB no mercado, no ano em que a instituição comemora 200 anos, causou desconforto no banco e no Ministério da Fazenda.

Para setores do governo, a liderança do banco é considerada estratégica. Ontem, ao comentar o negócio entre os dois grandes bancos privados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu a senha do jogo. "O BB momentaneamente perde a liderança. Mas a vida é assim. Nada como um dia depois do outro". Segundo o ministro, o BB terá chance de "correr atrás e se refazer". "Garanto que ele vai continuar crescendo", assegurou Mantega.

A estratégia do Ministério da Fazenda agora é garantir a aprovação o mais rápido possível e sem grandes modificações da Medida Provisória (MP) 443 que permite ao BB e à Caixa Econômica Federal comprarem outros bancos. Para o governo, ganhou força a necessidade de aprovação urgente da MP. O relator da MP na Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP) foi chamado ontem para reuniões no Ministério da Fazenda.

"Caberá ao Congresso decidir se o BB vai ser um espectador nesse novo cenário ou um grande player", disse uma fonte. O governo não quer que o BB, na posição de líder, perca a sua função de "balizador" do mercado e fique fora dessa "onda" que movimenta hoje o sistema financeiro brasileiro e internacional. Por isso, na visão da área econômica, o BB precisa ter condições de igualdade de competição nesse cenário de movimentação de fusões e aquisições. Uma exigência de licitação, como defendem alguns parlamentares, colocaria o BB "fora do jogo".

"O BB não quer ficar fora desse mercado. Nesse tipo de negócio não dá para fazer licitação. O que se precisa é um processo transparente de aquisição", disse outra fonte. Na semana passada, o senador Francisco Dornelles (RJ) apresentou proposta para retirar do texto a autorização para que o BB e a Caixa possam comprar outros bancos públicos sem licitação. Essa proposta, se for mantida, dificultaria a venda da Nossa Caixa para o BB.

Embora o ministro Guido Mantega tenha publicamente minimizado o golpe sofrido pelo BB ao afirmar que o se "é o primeiro, segundo ou terceiro não é tão relevante", internamente há preocupação com a necessidade de o banco se reposicionar no mercado, principalmente porque o Bradesco com a fusão também deve se movimentar mais agressivamente. "São 200 anos de liderança. Causou sim desconforto", disse uma fonte. Mesmo antes do agravamento da crise, Mantega nunca escondeu a seu projeto de fortalecer o BB, a Caixa e o BNDES, como braços auxiliares da política econômica.

Com o anúncio da fusão, cresceram ontem os rumores de negociações em curso do BB para comprar outros bancos. O mais forte deles era de que o BB estaria comprando o Banco Votorantim. A assessoria do BB não quis comentar o rumor, mas também não negou a notícia como fizera na sexta-feira passada.

A perda de liderança do BB jogou um balde de água fria nas comemoração dos 200 anos. Os três centros culturais do banco (Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo) organizaram uma vasta programação especial para comemorar a data, que se estende até janeiro do ano que vem. Mesmo com a fusão do Unibanco e Itaú, a expectativa é que o BB termine o ano do seu aniversário ainda na posição de liderança. Isso porque as mudanças legais da fusão não devem estar concluídas até o final do ano.

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