Tamanho do texto

Em teleconferência organizada para tranqüilizar os investidores, o Banco do Brasil (BB) informou ontem que as linhas de comércio exterior - Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamentos sobre Cambiais Entregues (ACE) - deverão ser normalizadas em novembro. Segundo o diretor de Comércio Exterior do banco, Nilo Panazzolo, as medidas anunciadas pelo Banco Central (BC) para contornar o problema - concessão de empréstimos em dólar, com garantias de títulos soberanos e carteiras dos bancos de ACC e ACE - deverão ser regulamentadas entre o fim desta semana e início da próxima.

Panazzolo afirmou que as linhas externas do BB foram renovadas na primeira quinzena do mês. Com a liberação de parte dos compulsórios pelo BC, o banco ganhou um reforço de R$ 11,4 bilhões para aumentar a liquidez no crédito. O BB analisa a compra de R$ 3 bilhões em carteiras de crédito de bancos menores. Mas o potencial de aquisições poderá chegar a R$ 6 bilhões, disse ele.

A maior preocupação dos investidores é com o risco de ingerência política do governo na compra de carteiras e na concessão de empréstimos para empresas que perderam dinheiro com a alta do dólar. Desde o fim de setembro, o BB perdeu R$ 22 bilhões em valor de mercado na Bolsa.

O vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Mendes, assegurou que as decisões de compra de carteiras e de concessão de crédito são tomadas dentro da "boa prática bancária", levando em consideração análise criteriosa de risco. Ele negou uso político do banco e a existência de pressão do BC para que compre rapidamente carteiras. O BB, disse ele, está seguro sobre a qualidade da sua carteira de crédito e não observa riscos decorrentes da crise.

O BB informou que suas dívidas em dólar não são relevantes. Estão próximas de US$ 100 milhões. Segundo o gerente-geral de Relações com Investidores, Marco Geovanne Silva, o BB não tem operações especulativas com derivativos cambiais. O banco tem acompanhado a posição dos seus clientes. "Não há concentração de valores a receber de posições ativas em operações de derivativos."

Com o agravamento da crise, o BB montou um "bunker" de monitoramento das empresas que estão mais suscetíveis. Apesar da piora, o vice-presidente disse que situação de liquidez do banco é favorável e superior à verificada no início do ano. Nos últimos dias, houve aumento "significativo" dos depósitos no Brasil e nas agências do banco no exterior. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.