SÃO PAULO - Depois de anunciar um lucro de R$ 8,8 bilhões em 2008, principalmente motivado pela expansão de sua carteira de crédito, o Banco do Brasil afirmou que deve expandir sua carteira de crédito em 17% em 2009, enquanto projeta alta total de 20% para o sistema financeiro brasileiro como um todo. O crédito deve continuar crescendo e, neste sentido, o Banco do Brasil deve expandir 17% a carteira total em 2009, afirmou Antonio Francisco de Lima Neto, presidente da instituição. Segundo ele, o crédito para pessoa física do banco deve crescer de 20% a 25%, enquanto os empréstimos para pessoa jurídica devem ter alta de 15% a 20% neste ano.

Em 2008 a carteira de crédito do BB apresentou um crescimento de 39,9%, frente a 2007, representando a maior expansão em nove anos. Sob as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o saldo da carteira encerrou o ano em R$ 224,8 bilhões.

O crédito para pessoa jurídica encerrou o ano passado com o montante de R$ 97,2 bilhões, avançando 48,4% em 12 meses. Já para pessoa física, o aumento chegou a 52,5% ante dezembro de 2007, atingindo R$ 48,8 bilhões.

O destaque do ano, quando analisado por segmento, foram os financiamentos de veículos, que tiveram um aumento de 120,7% na comparação de 12 meses, alcançando R$ 6,7 bilhões. O maior componente da carteira do Banco do Brasil, o crédito consignado, registrou um crescimento de 48,4% no período, chegando a R$ 17,6 bilhões.

O presidente do Banco do Brasil afirmou ainda que a instituição quer ampliar a carteira de crédito imobiliário do banco em 2009. O BB, que começou a operar crédito habitacional no segundo semestre do ano passado, pretende sair dos R$ 100 milhões atuais, e passar a R$ 1 bilhão de saldo médio contratado no fim deste ano.

Sobre o crédito imobiliário para população de baixa renda, o banco deve aguardar o anúncio do pacote de habitação do governo. "Já havíamos programado. Agora, com plano habitacional do governo Lula, acredito que a entrada do Banco do Brasil seja natural", afirmou Lima Neto.

Ele argumenta que, com uma base de 10 milhões de correntistas que ganham dois salários mínimos e 18 milhões com renda de três salários mínimos, seria normal a entrada do banco no pacote de crédito imobiliário do governo, que vai de dois a dez salários mínimos. "Esperaremos a oportunidade e aguardaremos o teor do plano", completou.

Sobre as futuras aquisições, o Banco do Brasil reiterou que tem apenas duas instituições na sua mira: o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) e o Banco de Brasília (BRB). "Não há nenhuma movimentação na direção do Banco da Amazônia", afirmou ele.

Com relação ao cumprimento da regra dos 25% de ações em circulação no mercado, uma exigência do Novo Mercado da Bovespa, o vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, Aldo Luiz Mendes, afirmou que o banco deve pedir uma extensão do prazo à Bolsa de Valores de São Paulo.

O banco, que tem apenas 21% de ações em circulação no mercado, abaixo do patamar mínimo, negou que pode realizar oferta de ações para atingir esta porcentagem em breve. "Vamos pedir à Bovespa que estenda o prazo, que finalizaria em julho. Agora não é momento de ofertar ações", explicou Lima Neto.

(Vanessa Dezem | Valor Online)

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