Raio-X dos bancos http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/11/20/aquisicao_do_nossa_caixa_equilibra_o_mercado_diz_mantega_2123679.htmlAquisição do Nossa Caixa equilibra o mercado, diz Mantega José Paulo Kupfer: http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/2008/11/20/ainda-vai-concentrar-mais/Concentração inevitável, controles indispensáveis" /
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Banco do Brasil acerta compra da Nossa Caixa por R$ 5,386 bilhões

SÃO PAULO ¿ O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira que acertou memorando de entendimento, com efeito vinculante, com o Estado de São Paulo para a aquisição do controle acionário da Nossa Caixa. O valor da operação é de R$ 5,386 bilhões. http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/11/20/raio_x_dos_bancos_brasileiros_2121648.html target=_topRaio-X dos bancos http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/11/20/aquisicao_do_nossa_caixa_equilibra_o_mercado_diz_mantega_2123679.htmlAquisição do Nossa Caixa equilibra o mercado, diz Mantega José Paulo Kupfer: http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/2008/11/20/ainda-vai-concentrar-mais/Concentração inevitável, controles indispensáveis

Redação com agências |

O anúncio acontece pouco mais de duas semanas depois de o Banco do Brasil ter perdido a liderança no ranking dos maiores bancos do País, após o Itaú ter anunciado a fusão com o Unibanco. 

Segundo comunicado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o valor da operação por ação é de R$ 70,63 e o pagamento será feito em dinheiro em 18 parcelas mensais a partir de março do ano que vem.
 
Em coletiva de imprensa, o presidente do Banco do Brasil, Francisco Lima Neto, afirmou que, com a compra, o banco federal ganha mais força dentro do Estado de São Paulo, que o que tem o maior PIB per capita do País, ativos de crédito e concentração populacional.
 
"A compra foi motivada principalmente porque com ela passamos a formar a maior rede de agências de São Paulo", afirmou Lima Neto. Segundo ele, o Banco do Brasil passa a ter 1.324 agências, ante 1240 do Itaú Unibanco.
 
Conforme Lima Neto, a crise financeira internacional, que trouxe escassez de liquidez aos mercados, não adiantou a compra. Foram seis meses de negociação, desde maio, e os dois bancos não têm qualquer problema dentro da crise, afirmou.

De acordo com o vice-presidente do BB, Aldo Mendes, entre os fatores que estimularam a negociação está a consolidação do sistema financeiro brasileiro. Em 1995 eram 240 bancos, e hoje são 156, sendo que 75% dos ativos bancários estão detidos pelos 10 maiores. Outro fator, segundo ele, foi o crescimento do crédito, que em setembro de 2008 atingiu R$ 1.148,9 bi.

O presidente do banco disse que a conversão ajudou a aumentar os ativos do BB. Mas, segundo ele, a liderança [entre os bancos nacionais] não será buscada a qualquer preço. Até o momento a única negociação em curso é para a compra do banco Regional de Brasília, qualquer outra negociação é especulação, afirmou, em resposta a uma questão sobre a possibilidade de o Banco do Brasil comprar o Banco Votorantin.
 
O presidente do BB afirmou que, num primeiro momento, 30 agências serão fechadas, mas que ao todo serão poucas porque uma das principais premissas para a aquisição foi a sobreposição de estruturas. "Mas só com a convergência será definido se haverá demissões", disse.
 
Lima Neto afirmou que a expectativa do Banco do Brasil é de que a compra da Nossa Caixa esteja concluída até março de 2009. Depois de encerrado o processo, o BB assumirá a condução do banco paulista em dois meses.
 
Acordo
 
Pelo acordo firmado com o governo do Estado de São Paulo, o Banco do Brasil vai adquirir o equivalente a 71,25% do capital social total da Nossa Caixa nas mãos do governo paulista.
 
O valor da operação, de acordo com o Banco do Brasil, foi calculado com base em avaliação econômico-financeira elaborada por consultores contratados pelo banco público levando em conta, entre outras metodologias, as perspectivas de rentabilidade futura e o fluxo de caixa descontado da Nossa Caixa.
 
Os consultores contratados foram Merrill Lynch, PriceWaterhouseCoopers, Accenture e UBS Pactual. "Considerando a natureza jurídica de economia mista de ambas as companhias envolvidas, e para a preservação adequada do interesse público, o memorando de entendimentos prevê a posterior incorporação societária da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, com a manutenção da prestação de serviços para o Estado de São Paulo", informou o Banco do Brasil.
 
Com a aquisição, o Banco do Brasil passa a somar R$ 512,4 bilhões em ativos, R$ 213 bilhões em empréstimos e R$ 264 bilhões em depósitos. Ao todo, são 49 milhões de clientes, 103 mil funcionários e 4.878 agências em todo o País, segundo informações do Banco do Brasil.
 
A operação está sujeita à aprovação pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e dos demais órgãos competentes.
 
Com a incorporação do banco estatal paulista, o Banco do Brasil mantém a segunda posição na tabela, com cerca de R$ 512 bilhões em ativos, atrás do Itaú-Unibanco, com cerca de R$ 575. Os ativos do Bradesco, o terceiro, eram de R$ 422,7 bilhões no final de setembro .
 
 
AE
Serra e Lula
Governador de SP José Serra e o presidente Lula em reunião na quarta-feira
 
Busca por prestígio
 
Para analistas, o processo de consolidação do sistema bancário no Brasil ainda terá novos capítulos. "A consolidação não acaba aqui", diz João Augusto Frota Salles, analista sênior da consultoria RiskBank.
Segundo Keyler Carvalho Rocha, economista e professor de finanças da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, a corrida do BB para não ficar atrás no ranking dos maiores bancos do Brasil representa uma busca por prestígio.
 
O BB é seguro por ser o banco do governo federal, ele não precisa crescer para assegurar seus clientes. O crescimento do BB é pelo prestígio de ser o líder do mercado brasileiro, afirma. Quanto à venda da Nossa Caixa, o economista avalia que a motivação principal do governo paulista é ter mais caixa para realizar obras. Esta transação já estava prevista.

O economista Evaldo Alves, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, vê na aquisição da Nossa Caixa e do Banco Votorantim o surgimento de outro pólo, um contrapeso aos gigantes privados. O crescimento do Banco do Brasil é saudável porque cria outro pólo, formando um tripé com Itaú-Unibanco e Bradesco, analisa o professor da FGV.

De acordo com Evaldo Alves, o Banco do Brasil irá se posicionar no mercado com uma postura diferenciada: o diferencial deste banco é a pulverização ¿ está presente em todo o Brasil ¿, e a prestação de serviço mais voltada para o social.

A instituição, segundo fontes do mercado, estaria ainda interessada na compra do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) e de outros bancos privados de pequeno e médio porte.

O BB é seguro por ser o banco do governo federal, ele não precisa crescer para assegurar seus clientes. O crescimento do BB é pelo prestígio de ser o líder do mercado brasileiro

Concentração bancária

Segundo analistas, após a fusão de Itaú-Unibanco, bancos grandes (como Bradesco) devem ir às compras. Para Keyler Carvalho Rocha, a tendência é a concentração bancária aumentar e os bancos grandes comprarem os pequenos e médios.

Como o custo para oferecer uma grande quantidade de serviços é alto, os bancos pequenos aumentam a taxa de juros. Neste momento de crise, este quadro se acentua e se agrava, porque as empresas não querem deixar aplicações em instituições de menor porte por causa do risco de falência. Não vejo muito futuro para os pequenos bancos, analisa o economista.

Em momento de crise, todos os investidores correm para onde há mais segurança e, com isso, os pequenos bancos perdem seus clientes. As instituições financeiras menores são passíveis de compra. Vamos ver mais negociações por aí, completa Rocha.

A concentração bancária é vista como uma tendência mundial positiva pelo economista da FEA. A maior vantagem é o fortalecimento da instituição financeira. Quanto maior o banco, mais diluídos ficam os custos fixos e mais vantagens ele pode oferecer ao cliente. A concentração é vantajosa porque oferece mais serviços e mais segurança aos clientes. Além disso, quanto mais forte a instituição financeira, menor o risco de falência, defende o especialista.

Como fica o cliente?

Já Evaldo Alves fala em oligopolização no setor. O governo federal terá de adotar uma política para controlar as fusões e regulamentar as tarifas. As taxas podem aumentar. Este campo exigirá bastante a participação do Banco Central, enquanto regulador, destaca o economista.


Rocha compartilha desta opinião. Para ele, o aumento do custo para o consumidor final é o único ponto negativo das fusões. Os bancos poderão cobrar um pouco mais pelos serviços que prestam. Para os clientes aumentou a segurança, o volume de serviços, mas provavelmente as tarifas e as taxas de juros serão maiores, afirma.

(*com reportagem de Marina Morena e Lectícia Maggi, do Último Segundo, e informações das agências Estado e Reuters)

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