SÃO PAULO - O Banco Daycoval concluiu na sexta-feira a primeira emissão de títulos de renda fixa brasileiros no exterior fechada neste mês em meio a inúmeras suspensões e adiamentos. O banco levantou US$ 100 milhões, pelo prazo de vencimento em três anos, e pagou rendimento de 7,375% ao ano ao investidor externo.

Diante da volatilidade no mercado, os bancos líderes da operação procuraram ser particularmente cautelosos e sondaram o mercado antes de vir a público para verificar se havia suficiente demanda para o papel , disse Alexei Remizov, responsável pela área de mercado de capitais do HSBC, que, junto com o Itaú Europa e o Banco Votorantim, lideraram a operação.

Segundo Remizov, como os temores de um repique na inflação são hoje maiores, investidores estão relutantes em comprar papéis de vencimento mais longo e, por isso, é particularmente difícil vender papéis de prazo acima de dez anos. Lançamentos de eurobônus de prazo de vencimento de até dez anos ainda podem ser feitos por alguns emissores, mas os investidores têm demandado um prêmio extra , afirmou.

O executivo informou que os compradores dos papéis do Daycoval foram principalmente private banks (que administram os recursos das pessoas físicas ricas) da Europa e Américas. Alguns poucos investidores institucionais europeus participaram. No total, 30 contas compraram o bônus.

Foi justamente para não sobrecarregar o mercado de private banks com seus papéis que o Cruzeiro do Sul optou por retirar do mercado neste momento sua emissão de três anos, explica Samy Podlubny, diretor da BCP Securities, que, junto com o UBS, liderava a operação. O Cruzeiro do Sul já lançou US$ 210 milhões neste ano para os private banks em duas emissões diferentes e queria vender títulos agora para que os investidores institucionais, que estão pedindo prêmio extra.

(Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico)

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