Embalada pelo ritmo forte da atividade econômica, a conta corrente do balanço de pagamentos brasileiro registrou em fevereiro saldo negativo de US$ 3,25 bilhões, valor recorde para o mês. Essa conta registra todas as transações de bens, serviços e rendas do Brasil com o exterior.

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Para março, com base nos dados disponíveis até ontem, o Banco Central já prevê um déficit ainda maior: US$ 4 bilhões. Com a forte piora da conta corrente nos últimos meses, o BC elevou em 22,5% sua projeção de saldo negativo em 2010, para US$ 49 bilhões. Se confirmado, esse será novo recorde da série, iniciada em 1947.

Se a estimativa do BC estiver certa, neste ano o Investimento Estrangeiro Direto (IED) - aquele voltado para a produção de bens e serviços - não será suficiente para cobrir o rombo na conta corrente, o que não ocorre desde 2001. O BC prevê ingressos de US$ 45 bilhões em investimento produtivo em 2010.

Apesar do volume elevado, restarão ainda US$ 4 bilhões para fechar o buraco deixado pela saída de dólares na conta corrente. O BC acredita que essa diferença será coberta pela entrada de dólares para aplicações em ações e renda fixa ou por meio de empréstimos tomados por empresas brasileiras no exterior.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse não ter nenhuma preocupação com a perspectiva de financiamento do déficit, já que há fontes suficientes de recursos externos para o Brasil.

"A perspectiva é boa para a economia brasileira, e isso atrai mais investimentos em ações e renda fixa", diz Altamir, destacando ainda que a busca de empréstimo no exterior por companhias brasileiras é sinal positivo de que o mercado externo está aberto a empresas nacionais.

Segundo ele, além de haver financiamento suficiente para cobrir o déficit, o Brasil está numa situação bem menos vulnerável do que no passado, porque tem reservas internacionais elevadas (cerca de US$ 243,7 bilhões). Ele lembrou que a média desde os anos 70 é de déficit externo, equivalendo a mais de 50% das reservas. Hoje, no entanto, essa relação está em 20%. As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".

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