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Reunião do Copom decide alta dos juros que vão ter efeito na economia no início do ano que vem

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começa a traçar os rumos da inflação de 2011.

Nas reuniões desta terça e quarta-feira, a autoridade monetária definirá a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira, atualmente em 10,25% ao ano. Entre os economistas, fala-se que o efeito de uma mudança nos juros demora seis meses para acontecer. Com isso, pode-se dizer que o que o Copom decidir vai impactar diretamente a economia em 2011.

BC olha para 2011 para equilibrar consumo e oferta, diz analista
Getty Images/Photodisc
BC olha para 2011 para equilibrar consumo e oferta, diz analista
“Os primeiros impactos do aumento dos juros serão sentidos no fim de 2010, mas veremos os efeitos mesmo em 2011”, diz Gian Barbosa, analista da Tendências Consultoria. Barbosa diz que a preocupação do BC para o ano que vem é reduzir o ritmo da demanda em um nível compatível com o da oferta.

Segundo Barbosa, o Banco Central “já está olhando mesmo para 2011”.

“O início do aperto monetário começou em abril e 2010 foi um ano muito cheio de choques na inflação”, diz. Com tanta oscilação nos preços, argumenta, restou à autoridade monetária controlar os índices somente em 2011.

Perda de unanimidade

Para o encontro desta semana, não há consenso sobre o quanto o BC deve elevar os juros. Na última decisão, quando aumentou a taxa em 0,75 ponto percentual, era praticamente unanimidade entre os analistas que o BC promoveria uma nova alta de 0,75 ponto em julho.

Entretanto, a economia vem mostrando sinais de desaquecimento, e a inflação tem perdido intensidade. Diante disso, alguns analistas já esperam uma elevação de 0,50 na Selic na reunião desta quarta-feira.

Mas os sinais podem não ser definitivos, alertam os economistas. “Parece prematuro apostar que o Banco Central irá desacelerar o ritmo de elevação do juro primário”, diz a consultoria LCA, em relatório.

“Os riscos externos continuam limitados e os modelos oficiais de projeção sugerem ser necessário que a Selic seja elevada em pelo menos mais 150 pontos-base (1,5%) para que a inflação volte a ficar consistente com a trajetória das metas”, completa.

O analista da Tendências concorda. “Reduzir o ritmo [de alta de juros] agora seria um pouco precipitado. Estamos diante dos primeiros sinais de desaceleração de atividade econômica. Ainda temos condicionantes muito fortes para a demanda doméstica”, diz Barbosa, citando o crédito em alta, o mercado de trabalho aquecido e os índices de confiança em patamares elevados.

Dados do Boletim Focus, do Banco Central, mostram que o mercado projeta a Selic em 12% no fim deste ano, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a chamada “inflação oficial” – fechando em 5,45%, resultado acima do centro da meta de 4,5% estabelecida pelo governo, mas ainda dentro do teto de 6,5% (o Conselho Monetário Nacional estabeleceu o centro da meta de inflação em 4,5%, com dois pontos percentuais acima ou abaixo).

A última vez que a inflação ficou acima da meta estabelecida pelo governo foi em 2003, quando o IPCA fechou em 9,30% e a meta era 4%, com 2,5 pontos para mais ou para menos. No ano passado, o IPCA ficou em 4,31%, abaixo dos 4,5% do centro da meta. Em 2008, o índice fugiu do centro de 4,5%, mas ficou em 5,90%, ainda dentro do limite máximo.

Mesmo com as altas promovidas ao longo de 2010, a inflação poderá fechar 2011 fora do centro da meta. A Tendências projeta o IPCA em 4,7% no ano que vem, com a Selic fechando em 12,25% neste ano e sendo mantida pelo Copom ao longo de todo 2011. Já Boletim Focus prevê IPCA em 4,80% e a Selic em 11,75% no ano que vem. 

A trajetória dos juros

Confira o movimento da taxa Selic desde o agravamento da crise mundial, em setembro de 2008
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Fonte: Banco Central

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