BRASÍLIA - Bancários de todo o País paralisam as atividades nesta terça-feira. No Distrito Federal a categoria já decidiu pela greve, mas deve ser realizada nova assembléia no Setor Bancário Sul, no final da tarde. Os sindicatos estaduais devem decidir ainda hoje se paralisam ou não as atividades. São Paulo também aderiu à paralisação, porém, apenas 10% das agências estão fechadas.

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Desde a última quarta-feira (24), o sindicato dos Bancários está em negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) em busca de um acordo salarial. A Febraban ofereceu reajuste de 7,5% sobre os salários e todas as verbas salariais. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta no momento em que foi apresentada, por considerá-la muito abaixo das expectativas da categoria.

Anderson Dezan/US

Paralisação dos bancários atinge todo o País

As reivindicações dos bancários são aumento real de 5%; elevação do

valor da PLR e simplificar os critérios de distribuição - três salários mais R$ 3.500 para todos, sem limitador e sem teto; valorização dos pisos salariais; cesta-alimentação no mesmo valor do salário mínimo (R$ 415) e contratação da remuneração total; plano de Cargos e Salários para todos os bancários e 1% para cada ano trabalhado.

A cada cinco anos, esse reajuste será de 2%. O banco é obrigado a promover o bancário pelo menos um nível a cada cinco anos; e aumento do vale-refeição para R$ 17,50, de forma a compensar a inflação dos alimentos dos últimos 12 meses.

Greve em São Paulo

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, cerca de 10% as agências de São Paulo e Grande São Paulo estão fechadas, o que totaliza, em média, dez mil funcionários.

Os bancários estão reunidos em frente a praça da Patriarca, no centro de São Paulo e deveram seguir a pé pela cidade para convencer os bancários a fechar as agências que ainda estejam abertas.

De acordo com o sindicato, essa é apenas mais uma mobilização da categoria para tentar reabrir as negociações. O sindicato só está reivindicando o que é de direito. Nem mais nem menos, informou a assessoria. Por enquanto é apenas um aviso, como o protesto da terça passada, mas, caso a Fenaban não aceite negociar, podemos entrar em greve definitiva, completou.

Greve no Rio

As pessoas foram pegas de surpresa pela paralisação dos bancários na manhã desta terça-feira no Rio de Janeiro. "Não sabia que os bancos estavam em greve. Fui à Caixa Econômica dar entrada no meu Fundo de Garantia e não pude, por causa da paralisação. Estou desempregado e preciso desse dinheiro. Como vou ficar nessa situação?", reclamou o estudante Igor Aguiar.

As agências bancárias do Rio não aderiram 100% à paralisação. A reportagem do Último Segundo apurou que a maioria dos bancos que estão de portas fechadas ficam no centro da cidade. Algumas agências de bancos privados da zona sul, por exemplo, funcionam normalmente.

Anderson Dezan/US

A rotina de trabalho de Jander foi afetada com a greve

Os clientes, no entanto, reclamam que o sistema bancário é imprescindível e que afeta muita gente. "Eu perdi o cartão do banco e pretendia ir à agência pedir um provisório para sacar o meu salário. Com a greve, eu não tenho nem como pegar um cheque avulso. Tenho meus compromissos para pagar e vou ter que dar um jeito", desabafou Ruan Sardinha, analista de sistemas. "O pior é ter que pedir dinheiro emprestado para poder voltar para casa", brincou.

Essa paralisação, segundo alguns clientes, atrapalham também as empresas. "Fiquei sabendo da greve através de uma funcionária de uma agência no centro da cidade. Tenho contas da empresa em que trabalho que só podem ser pagas em agências específicas, e elas estão fechadas. Vou ter que esperar. Não tem outro jeito", disse o office boy Jander de Souza.

Atendimento aos clientes

O atendimento aos cliente será prejudicado por conta da paralisação. Ainda de acordo com o sindicato, nenhum bancário atenderá nesta terça-feira. A recomendação é que os usuários dos bancos utilizem os caixas eletrônicos, auto-atendimento, internet, casas lotéricas e outras alternativas já que, segundo a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), as contas com vencimento nesta terça não terão o prazo adiado.

Os bancários estão reunidos em frente a praça da Patriarca, no centro de São Paulo e deveram seguir a pé pela cidade para convencer os bancários a fechar as agências que ainda estejam abertas.

Febraban

A assessoria de imprensa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), da qual a Fenaban faz parte, informou que por enquanto não tem nenhuma posição em relação à paralisação, apenas afirmou que as negociações para o reajuste já ocorrem há um mês.

(*Com informações de Gregório Russo e Anderson Dezan*)

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