A dívida do antigo Banco Bamerindus com a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) totaliza R$ 690 milhões. Pela proposta em estudo no Banco Central (B C), a dívida deverá ser quitada em várias parcelas.

"As negociações estão bem adiantadas", afirma o diretor executivo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Antonio Carlos Bueno de Carvalho.

Para o BC, o êxito dessa proposta poderá facilitar a negociação das dívidas dos outros bancos em liquidação extrajudicial. Além disso, os R$ 2,7 bilhões que a instituição tem a receber do Bamerindus serão pagos à vista.

"O FGC nos apresentou um projeto de recebimento dos créditos, principalmente, os públicos, de acordo com a lei, e já demos o sinal verde para que seja posto em prática", afirmou o diretor de Liquidações do Banco Central, Antonio Gustavo Matos do Vale. "Agora, é preciso aguardar a proposta oficial para ser levada à diretoria colegiada."
O vice-presidente da Associação Brasileira dos Acionistas Minoritários do Grupo Bamerindus, Jair Euclides Capristo, já participou de várias reuniões com FGC e tem esperança de que agora as negociações para recebimento do dinheiro devido pelo Bamerindus vão decolar.

CASOS ANTIGOS
O Bamerindus, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 1998, é apenas um dos exemplos da pior crise que assolou o sistema bancário brasileiro, na década de 90. Existem intervenções mais antigas que ainda não foram resolvidas, como as do Nacional, Econômico, Banorte, Mercantil de Pernambuco e BMD.

A maioria dessas instituições recebeu socorro do governo via Programa de Estímulo à Reestruturação a ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional ( Proer). Esses bancos devem R$ 57,319 bilhões ao BC - R$ 41,178 bilhões referentes ao Proer e R$ 16,140 bilhões de saques a descoberto na conta das reservas bancárias.

No âmbito do Proer, foram socorridos os bancos Nacional, Econômico, Mercantil de Pernambuco e Banorte. Atualmente, o Nacional e Banorte estão nas mãos do Grupo Itaú Unibanco, em decorrência das aquisições feitas nos últimos anos. Desde o ano passado, o conglomerado Itaú Unibanco está avaliando os ativos e passivos desses bancos falidos para apresentar uma proposta ao BC.

A situação do Econômico e do Mercantil de Pernambuco é bem diferente e não avançou nos últimos anos. Esses bancos têm ações na Justiça contestando os critérios adotados pelo BC para corrigir os ativos dos bancos. Essas instituições querem que os débitos dos bancos com o Proer sejam corrigidos pela TR.

Se isso ocorrer, ao invés de débito com o BC, esses bancos acabarão ficando com crédito. No caso do BMD, o FGC, que também é o principal credor da instituição, tenta negociar proposta semelhante à do Bamerindus.

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