Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Balada sobe até 10 vezes mais que inflação em março

"Baladeiros" pagaram mais em capitais como Rio, BH, Brasília, Fortaleza, Curitiba e Goiânia; em São Paulo, preço caiu no mês

Klinger Portella, iG São Paulo |

As baladas estão mais caras Brasil afora. Em sete capitais do País, o preço cobrado nas entradas de casas noturnas subiu na passagem de fevereiro para março. Em seis delas, a alta foi maior que a inflação para o mês. Tomando por base dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o iG constatou que em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Curitiba e Goiânia o preço da balada chegou a ser até dez vezes maior que a inflação em março.

AE
Balada ficou mais cara em sete capitais em março
A cidade de São Paulo foi a única a registrar queda no preço da entrada das casas noturnas em março. Os preços do item “boate, danceteria e discoteca” do IPCA caíram 1,34% no mês.

A maior alta foi observada em Goiânia, com 5,61%, mais que dez vezes maior que o IPCA, que fechou o mês em 0,52%. Subiram mais que a inflação os preços no Rio de Janeiro (1,33%), Belo Horizonte (3,21%), Distrito Federal (2,64%), Fortaleza (2,26%), Curitiba (3,80). Em Porto Alegre, houve alta de 0,16%. Nas cidades de Recife, Belém e Salvador, os preços se mantiveram estáveis.

E não é só nos indicadores que a inflação pesa. Quem costuma “esticar” a noite nas casas noturnas já notou que a inflação da balada está em alta. O designer Marcus Santanna, que freqüenta o chamado circuito alternativo da região central de São Paulo, praticamente dobrou os gastos por noite ao longo de um ano. “Antigamente, eu gastava R$ 40 por noite. Hoje, gasto R$ 70”, comparou.

Santanna, que também trabalha como DJ em algumas casas noturnas, sai em média três vezes por semana. O designer reclama que a cerveja é a maior “vilã” da inflação da balada. “Já cheguei a pagar R$ 6. Hoje, encontro cerveja até por R$ 9.”

Segundo dados do IPCA de março, o preço da cerveja em São Paulo subiu 4,40% no acumulado de doze meses, enquanto o item “outras bebidas alcoólicas” teve alta de 8,46%. Somente em março, a cerveja ficou 0,75% mais cara na capital paulista, segundo o IBGE.


A "Inflação" da Balada

Veja a variação percentual de preços de alguns itens da balada no IPCA de março

Gerando gráfico...
Fonte: IBGE

 

 

Mas o grande vilão da inflação da balada em março foi o motel, cujos preços subiram 1,24% em março, praticamente três vezes mais que a inflação oficial para o mês. A cidade de Salvador, com alta de 6,23%, foi a capital com a maior elevação de preço nos motéis. O webdesign Humberto Oliveira, que frequenta os moteis da capital baiana pelo menos uma vez por mês, diz que ainda não sentiu no bolso a alta dos preços. Com gastos entre R$ 60 e R$ 80 ao mês, ele deixaria de frequentar os motéis, caso os valores subissem demais. "Como sou casado, ficaria em casa mesmo ou tentaria encontrar outros com qualidade e valor mais acessível."

Para o inspetor mecânico Thiago Alves Fernandes, que costuma frequentar as baladas do Rio de Janeiro pelo menos três vezes por semana, os gastos com a diversão noturna cresceram entre fevereiro e março. Com gastos entre R$ 150 e R$ 200 por noite, Fernandes diz que o consumo “ficou mais caro” nas casas cariocas nos últimos meses.

Embora reconheçam os gastos maiores, os baladeiros não se intimidam com a alta nos preços. Questionado se deixaria as baladas por conta dos gastos, Fernandes é enfático na resposta: “jamais!”. Já o paulistano Marcus Santanna dá outra receita. “Eu sou bem boêmio. [Se o preço subir demais] eu vou procurando algo mais acessível. Talvez passe a frequentar outra casa.” 

Leia tudo sobre: inflaçãobaladaipca

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG