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Badin é aprovado para presidência do Cade

O procurador-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Arthur Badin, teve sua indicação para a presidência do órgão aprovada quase por unanimidade pelos integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado. O resultado, que contrariou as expectativas levantadas nas últimas semanas por integrantes da CAE e surpreendeu até o Palácio do Planalto, foi fruto da articulação desencadeada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que recebeu ajuda de setores da oposição, como o PSDB.

Agência Estado |

A operação pró-Badin conseguiu remover resistências, atrair indecisos no PMDB e consolidar votos favoráveis na oposição. Além dessa articulação, o próprio Badin assistiu à retribuição do trabalho de "formiguinha" que fez no Senado conversando individualmente com os senadores ao longo dos últimos dois meses. A indicação será examinada pelo plenário do Senado no dia 9 de setembro.

Na avaliação de Jucá, o placar de 21 votos a favor e 2 abstenções mostrou que, só agora, a CAE estava preparada para votar a indicação de Badin. "O assunto maturou", disse. Para a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), a virada de votos, já que os governistas esperavam cinco votos contra Badin, se deu por causa das pressões. "Estava ficando clara a interferência empresarial dentro da CAE", afirmou, referindo-se às restrições levantadas por grandes grupos empresariais ao procurador-geral. Para Ideli, o fato de Badin ser um advogado jovem, de 32 anos, pouco pesa. "O que pesou na discussão foi a atuação dele como procurador-geral do Cade na análise de processos de interesse dos pesos pesados da economia."

As respostas de Badin às indagações dos senadores contribuíram para garantir os votos. Foi o caso do senador Gerson Camata (PMDB-ES), que mudou de posição e fez questão de revelar o voto favorável, antes de depositá-lo na urna. Com a ausência do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), a sessão da CAE foi presidida por Eduardo Suplicy, que também votou em favor de Badin. O outro petista que não compareceu, Delcídio Amaral (MS), foi substituído pela líder do partido, Ideli Salvatti, que seguiu orientação de Jucá e do Planalto.

Enquanto a maioria elogiou Arthur Badin pelo currículo e pela idade, coube ao líder do DEM, senador José Agripino (RN), destoar dos colegas. Num tom crítico e até agressivo, qualificou o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de autoritário e disse que ele não tinha experiência com direito econômico. Mesmo assim não conseguiu convencer seus liderados e, como não integra a CAE, não votou.

Visivelmente nervoso na exposição, Badin só ficou mais à vontade quando começou a falar sobre sua atuação no Cade, tentando remover obstáculos e especulações de que atuaria contra o poder econômico. "Defendo o interesse público", disse, repetidas vezes.

Dois senadores do PMDB deixaram de votar na CAE. O peemedebista Pedro Simon (RS) que ressaltou a jovialidade de Badin. "Ele está mais para presidente da UNE que para a presidência do Cade", disse, arrancando aplausos e risadas. "Ele conseguiu ser pop. E dava para ser presidente da UNE, que está até precisando", completou o senador Mão Santa (PMDB-PI), que se absteve, justamente por considerar Badin muito jovem para o cargo.

A maioria da platéia que acompanhou a sessão era formada por jovens advogados e alguns auxiliares de Badin no Cade. Representantes de grupos econômicos interessados na votação não estavam lá.

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