Babás chinesas viram febre entre executivos de Nova York

Com a chance de a economia da China superar a dos EUA em breve, americanos fazem com que os filhos aprendam mandarim mais cedo

Carolina Cimenti, especial para o iG, de Nova York | 16/05/2011 06:57

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Foto: Carolina Cimenti/especial para o iG

A babá chinesa Yali ganha mais do que a colega paraguaia: salários que podem alcançar entre R$ 6 mil a R$ 25 mil ao mês para as residências dos altos executiv

Foi-se o tempo da governanta francesa em Nova York. A última moda entre as famílias ricas e de classe média alta agora é educar os filhos em mandarim, a língua predominante na China... e no mundo. Com mais de 880 milhões de falantes nativos e pelo menos 120 milhões pessoas que a aprenderam como segundo idioma, mais de um bilhão de pessoas falam mandarim no mundo. Sendo a China o país que mais cresce economicamente no mundo, com uma média de 10% ao ano nos últimos 30 anos, fica fácil entender porque a elite americana quer preparar suas crianças para um mundo dominado economicamente pelo dragão asiático.

Kristina W. mora no Brooklyn, em Nova York, e está grávida de oito meses do seu primeiro filho. O menino ainda nem nasceu e a mãe já está à procura de uma babá chinesa que fale mandarim com ele desde os primeiros dias de vida. “É uma língua muito complexa, por isso eu quero que ele entre em contato com o mandarim o quanto antes”, explica. Kristina trabalha com produção cinematográfica e seu marido é analista financeiro em Wall Street, no banco de investimento japonês Nomura, que comprou a massa falida do Lehman Brother’s em 2008. “Na realidade, a ideia foi dele. De tanto ler e ouvir falar em oportunidades de investimentos na China, ele me convenceu que em 10 ou 20 anos vai ser tão importante falar mandarim e entender como fazer negócios na China, quanto é importante falar inglês hoje”, diz Kristina.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a China se tornará a maior economia do mundo até 2016. O país já ultrapassou a Alemanha e o Japão nos últimos dois anos, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Nesse raciocínio, o legendário investidor americano Jim Rogers foi um dos pioneiros na mania da babá chinesa em Nova York.

Futuro é a Ásia, diz investidor

Quando sua filha Hilton Augusta nasceu em 2003, Rogers e sua mulher, Paige Parker, não pensaram duas vezes: entrevistaram dezenas de babás em mandarim, com a ajuda de amigos chineses em Nova York, e vêm educando a menina e sua irmã, nascida em 2008, com a ajuda de babás chinesas. “A maior parte das babás chinesas em Nova York vêm do campo e não falam mandarim corretamente, mas cantonês. Nós não queríamos isso. Queríamos que ela aprendesse corretamente o mandarim, que é a língua usada na política e em negócios”, explicou o investidor em 2005 à revista "New York".

Rogers acredita tanto no futuro da Ásia e da China, que em dezembro de 2007 vendeu a sua mansão em Nova York e se mudou para Cingapura. A escolha do país é uma alternativa às ultra poluídas Hong Kong, Pequim e Shanghai. “Se você fosse esperto em 1807, você se mudaria para Londres. Se você esperto em 1907, você iria morar em Nova York. E se você for esperto hoje, você vai para a Ásia”, disse na época da sua mudança. “Na Ásia, as pessoas estão muito concentradas e motivadas, e eu quero viver e quero que as minhas filhas cresçam em um ambiente assim”, explicou.

As agências de babás em Nova York já se habituaram com moda asiática. “Até a virada do século, a tendência era contratar babás que falassem espanhol ou francês. Há cerca de dez anos, a procura por babás asiáticas e chinesas vem aumentando anualmente”, confirma Seth Greenberg, diretor da Pavillion Agency, agência de luxo que serve algumas das famílias mais ricas de Nova York.

Foto: Carolina Cimenti/especial para o iG Ampliar

Seth Greenberg, diretor da agência Pavillion: babás que falam inglês e mandarim têm salários mais altos

Ele diz que 30% dos pedidos de babás vêm com solicitações de línguas e metade dessas solicitações são para mandarim. O restante ainda varia entre francês, espanhol e outras línguas europeias. O salário das babás empregadas por Greenberg variam entre US$ 50 mil e US$ 200 mil por ano (algo entre R$ 6 mil a R$ 25 mil por mês). “”, avalia.

“Para os meus clientes, não existe uma separação formal entre trabalho e vida social. São pessoas muito ocupadas e estão envolvidas com trabalho e conversas que podem virar oportunidades de trabalho o tempo todo, mesmo quando estão em casa ou entre amigos. Por isso é natural que seus filhos, mesmo nos horários de lazer, enquanto brincam, aprendam outra língua”, explica.

Yali trabalha como babá de uma menina americana de dois anos. Ela se mudou para os Estados Unidos há cinco, e vive em Nova York com seu marido e seu filho de seis anos. Ironicamente, Yali e seu marido mudaram de país porque queriam dar melhores oportunidades ao menino. Mas também porque querem ter outro bebê, e, apesar das recentes mudanças na lei do país, ter um segundo filho na China ainda é um tabu e custa muito caro.

“Eu nunca havia trabalhado, não tinha aprendido uma profissão. Mas depois de ter meu filho, aprendi a cuidar de crianças, e isso virou o meu trabalho”, explica Yali, enquanto passeia com sua cliente no Central Park. A babá ganha 30% a mais que a sua colega paraguaia, Lisa, exatamente por falar mandarim. A menina chega correndo, abraça Yali e diz algo incompreensível à baba. “Ela precisa ir no banheiro”, traduz. “Elas aprendem muito rápido nessa idade”.

Erin Huff, dona da agência de babás Abigail Madison Agency & Household Staffing explica que o salário de uma babá normal varia entre US$ 15 e US$ 20 por hora. Mas se ela falar mandarim, esse valor pode chegar até US$ 35 por hora. Ela diz ainda que a maior parte dos casais à procura de babás chinesas é de classe média e classe média alta, no qual os dois, mãe e pai, trabalham. “É interessante notar que na maioria dos casos, não são mães que não trabalham. São pessoas muito ligadas ao mundo profissional e que dão valor a uma educação competitiva, por isso eles querem oferecer todas as ferramentas que poderão ser úteis a seus filhos no futuro”, afirma.

Foto: Carolina Cimenti/especial para o iG Ampliar

Crianças brincam no Central Park, em Nova York: pais tentam garantir aprendizado de mandarim em casa

Existe outro fator interessante para essas famílias, ao contratar uma babá chinesa (e de outras nacionalidades também). “Principalmente entre as famílias ricas, as babás muitas vezes são usadas como pontes para apresentar as crianças aos filhos de outras famílias ricas e influentes”, exemplifica um funcionário de uma agência, que não quis se identificar.

“Funciona de forma simples. A babá se aproxima das babás das famílias que seus patrões querem conhecer. Depois de um tempo, as crianças começam a frequentar o parque no mesmo horário e começam a brincar juntas, pois as babás se sentam juntas para conversar. Eventualmente, isso vai acabar colocando as duas famílias no mesmo recinto, e oportunidades de investimento e trabalho podem ser criadas”, exemplifica o funcionário.

Outra razão pela qual babás chinesas são tão requisitadas em Nova York e em outras capitais americanas é porque milhares de famílias americanas adotaram meninas chinesas nos últimos 20 anos, e querem que essas meninas continuem pelo menos um pouco ligadas à cultura do país onde nasceram.

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    6 Comentários |

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    • Sidney | 16/05/2011 18:49

      Somente falar o idioma e alguns aspectos culturais serão úteis mas, não decisivos. Os chineses são um caso à parte em negociações e a ética que muito se discute por aí, pouco se pratica por lá, aliás como no mundo dos negócios em geral.\nO que acontece hoje em dia no mundo dos negócios com a China, não se depende dessa regra viceralmente. Os chineses tem um plano estratégico em prática há 33 anos e ainda não terminou e muitos irão descobrir quando eles "puxarem a corda" e quando isso acontecer o mais importante será aprender a rezar....

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    • Maria Claudina Faria | 16/05/2011 11:13

      Muito boa a informação tenho vontade de aprender mandarim credito que chegou a hora...

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    • AGR | 16/05/2011 10:27

      Eu diria que por uma questão financeira essas famílias são egoistas pois privilegiam o resultado baseado no dinheiro inclusive envolvendo seus filhos diretamente ... e esse comportamento parte sempre das elites ... e normalmente (isso é um problema) ainda maior .... pois chega na base bem distorcido .

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    • Monique W | 16/05/2011 08:01

      Fala serio, as crianças aprende Madarim e os pais onde fica,vai ter que ir pra escola para conversar com os proprios filhos \n\nisso é ridiculo

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    • Henrique | 16/05/2011 07:58

      O Capital não perdoa nem as crianças.

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    • nelson castelani | 16/05/2011 07:43

      A familia Barbosa, que descendia dos Proença, do Piaui, e veio para Valparaiso para assumir a posse de 100 mil alqueires de terra, contratou Raimundão e Nelcindo para ensinar linguas aos filhos do clã. O único que aprendeu o mandarim,. o eslavo,o hebraico e o esperanto foi o João.

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