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Azul sai do chão pela primeira vez

A Azul Linhas Aéreas obteve na última quinta-feira a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar como empresa aérea no Brasil, e planeja iniciar operações até o dia 15 de dezembro. O Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo (Cheta) foi concedido após a empresa ser aprovada no vôo de inspeção, um vôo demonstração em que inspetores da Anac analisam todos os procedimentos da empresa, desde o check-in até a capacidade da companhia de reagir a imprevistos.

Agência Estado |

A reportagem do Estado acompanhou com exclusividade o dia da obtenção do Cheta e participou do primeiro vôo da Azul após o vôo de inspeção, fazendo o trajeto de Viracopos (Campinas) para o Santos Dumont (Rio). Por razões de segurança, a legislação da Anac não autoriza passageiros nos vôos de inspeção.

A Azul escolheu as bases de Viracopos e Curitiba para realizar seu vôo de inspeção, apontando Porto Alegre como alternativa caso houvesse algum impedimento em Curitiba. (As rotas da companhia ainda não foram anunciadas, mas a escolha dos três destinos indica que eles farão parte da malha.)

A inspeção do vôo AD 9641 começou no balcão do check-in da empresa em Viracopos. Um inspetor da Anac se apresentou com a xerox de sua carteira de identidade - documento rejeitado pela funcionária da companhia. Ponto para a Azul, uma vez que a legislação exige documento original. Antes da decolagem, alguns imprevistos simulados: excesso de peso no avião e vazamento de combustível - prontamente solucionados pela equipe de manutenção.

O jato Embraer 190, batizado de "O Rio de Janeiro continua Azul", decolou de Campinas para Curitiba às 12h27 de uma quinta-feira nada azul. Atraso de 27 minutos, por razões meteorológicas. O aeroporto de Viracopos, que raramente fecha por condições climáticas, passou parte da manhã fechado. "Encomenda da concorrência", brincava a equipe da Azul. Segundo relato do vice-presidente operacional da Azul, Miguel Dau, o trajeto até Curitiba foi absolutamente normal, sem imprevisto - real ou simulado.

Os três comissários a bordo serviram aos passageiros-inspetores sanduíches tipo wrap com salada e um doce, além de sucos, refrigerantes e água. Foi a única parte não fidedigna do vôo, já que o serviço de bordo real da companhia será mais modesto: haverá seis opções de pacotes de salgadinhos e doces (como amendoim e batata frita), das quais o passageiro poderá se servir livremente.

O grande teste para a Azul começou poucos minutos após a decolagem de Curitiba. Um inspetor da Anac que na vida real sofre de problemas de coração, começou a "passar mal". "No começo ficamos na dúvida se era verdade ou simulação, mas depois vimos que fazia parte do teste", contou Dau.

Depois de checar se havia algum médico a bordo, como mandam os procedimentos, o comandante Álvaro Neto, que também é o diretor de operações da nova empresa, decidiu voltar para Curitiba para que o "passageiro" pudesse ser socorrido. Foi informado, porém, que o aeroporto acabara de fechar. Ele tentou então Porto Alegre, mas o aeroporto Salgado Filho também estava fechado, assim como Viracopos. Restou ao comandante voar para Florianópolis, embora a empresa não tivesse equipe de apoio em terra. Os momentos de tensão no avião eram sentidos em terra pelo gerente de manutenção de linha (que cuida da manutenção nos aeroportos), Antonio Carraça, que estava em constante comunicação com a cabine do avião e com o Centro de Controle Operacional (CCO) na sede da Azul em Alphaville - a Azulville.

Com a informação de que o avião seguiria para Florianópolis, Carraça acionou o mecânico da empresa na cidade, que foi imediatamente para o aeroporto. Feitas as inspeções de praxe e com um novo plano de vôo, o avião voltou para Campinas.

O exercício pôs a prova o sistema de comunicação da Azul, que permite o contato entre o avião, o aeroporto e o CCO, através de equipamentos VHF interligados a uma rede VoIP. "Esse sistema se mostrou de extrema confiabilidade", afirmou Dau.

Na chegada, por volta das 19 horas, ainda na pista do aeroporto de Viracopos, o inspetor-chefe da Anac, Dalton Machado, reuniu a equipe da Azul para o chamado "debriefing" e a parabenizou "pela excelência em segurança operacional".

Emocionada, toda a equipe da Azul embarcou em seguida para o Rio de Janeiro, em um vôo com direito a champanhe e bolo de aniversário - fornecido por uma das grandes empresas de catering de avião, a Gate Gourmet (que disputa a conta da Azul com a Sky Chefs).

Enquanto dá as orientações para o início do desembarque, a comissária Luísa Lage não se contém e chora. Miguel Dau pega o microfone e saúda a tripulante. "O sentimento da Luísa é o de toda a equipe Azul. Vocês estão vendo o nascimento da esperança, de uma aviação moderna e segura."

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