Por Silvio Cascione SÃO PAULO (Reuters) - O dólar manteve a escalada dos últimos dias e subiu além de 1,77 real em uma sessão bastante volátil nesta quarta-feira, influenciada pela instabilidade no exterior e pela saída de recursos conforme se aproxima o final do ano.

Às 16h15, em meio às últimas operações no mercado interbancário, o dólar era negociado a 1,772 para venda, com alta de 0,74 por cento. É a maior cotação de fechamento desde 2 de outubro. Na semana, a moeda já acumula valorização de 2,55 por cento.

O dólar chegou a cair no começo da sessão, em um movimento de ajuste após a forte subida da véspera. Mais tarde, porém, prevaleceu a cautela com a sucessão de notícias negativas. Após a redução da nota da Grécia pela Fitch, na véspera, nesta sessão foi a vez da Espanha ser colocada em perspectiva negativa pela Standard & Poor's, por exemplo.

No fim da tarde, embora o dólar se desvalorizasse levemente em relação a uma cesta com as principais moedas, ele mostrava mais força ante divisas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.

Além disso, as commodities --principal componente das exportações brasileiras-- caíam x,xx por cento, segundo o índice Reuters-Jefferies

"Esta visão mais sensata a respeito do cenário econômico mundial provoca também uma avaliação com maior acuidade a respeito do Brasil", afirmou Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.

"(Isso) parece estar fortalecendo a convicção por parte dos investidores estrangeiros, principalmente, de que o real perde a atração como moeda extremamente interessante para especulação... conduzindo o preço da moeda americana, no nosso mercado de câmbio, a um perfil mais compatível com a sua efetiva realidade do país."

Na véspera, com o aumento da aversão a risco, os estrangeiros compraram cerca de 750 milhões de dólares nos mercados de dólar futuro e de cupom cambial, elevando as posições compradas na moeda norte-americana a 6,9 bilhões de dólares --1,6 bilhão a mais do que no final da semana passada.

A chegada do fim do ano também favorece a subida do dólar. De acordo com Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso, "a virada do ano é um momento complicado, tanto para bancos quanto para investidores. Eles são obrigados a enquadrar exposição a risco (por exemplo)", disse.

De acordo com Moacir Marcos Júnior, operador de câmbio da corretora Finabank, houve também um aumento do presença de importadores no mercado, possivelmente antecipando a saída de recursos. Ele destacou o volume de mais de 300 mil contratos no principal vencimento do dólar futuro, acima da média dos últimos dias.

Dados do Banco Central divulgados nesta quarta confirmaram uma tendência de piora nas transações comerciais. Na primeira semana de dezembro, houve a saída líquida de 1,421 bilhão de dólares nessas operações, o que provocou um déficit de 925 milhões de dólares no fluxo geral de câmbio.

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