SÃO PAULO - Em um pregão marcado pelo aumento da aversão a risco em âmbito global, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) amargou fortes perdas, com um fechamento abaixo dos 65 mil pontos. Na terceira jornada seguida de queda, o Ibovespa oscilou entre 64.588 e 67.

SÃO PAULO - Em um pregão marcado pelo aumento da aversão a risco em âmbito global, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) amargou fortes perdas, com um fechamento abaixo dos 65 mil pontos. Na terceira jornada seguida de queda, o Ibovespa oscilou entre 64.588 e 67.116 pontos, e despencou 3,35%, aos 64.869 pontos. Esta foi a menor pontuação desde o dia 9 de fevereiro (64.718). O giro financeiro atingiu R$ 10,087 bilhões. Apesar da queda do índice, o analista gráfico da Link Trade, home broker da Link Investimentos, Marcio Noronha, assinala que ainda não se pode apontar uma reversão da trajetória do Ibovespa. "Desde o fim de sexta-feira passada, o Ibovespa entrou em tendência de baixa. Principalmente com a Petrobras, o Ibovespa passou a cair e a confirmar o panorama que a maioria das ações do mercado já estava mostrando. A situação agora só está se agravando, mas acredito que ainda tem um suporte importante na faixa dos 61 mil pontos e tenho a impressão de que, para ficar caracterizada uma reversão, um movimento mais prolongado, seria importante o Ibovespa trabalhar abaixo dos 61 mil pontos", comentou Noronha. Segundo o analista, o principal índice do mercado brasileiro ainda tem espaço para trabalhar entre 61 mil e 74 mil pontos, antes de indicar novo movimento. "Para o mercado se recuperar, voltar a ficar altista, só se o Ibovespa ultrapassar os 74 mil pontos. E, para consolidar essa tendência de baixa, que está em andamento, tem que vir abaixo dos 61 mil pontos. Esses parâmetros é que são importantes, do ponto de vista gráfico", reforçou Noronha. Em Wall Street, as bolsas também tiveram perdas expressivas. O índice Dow Jones registrou queda de 2,02%, aos 10.927 pontos, enquanto o Nasdaq teve perda de 2,98%, para 2.424 pontos, e o S & P 500 recuou 2,38%, aos 1.174 pontos. Apesar do pacote de ajuda financeira no valor de 110 bilhões de euros ter sido anunciado ontem para a Grécia, as preocupações do mercado persistem. Os investidores temem que o valor não seja suficiente e que, caso a crise se alastre para outros países europeus, não haja recurso suficiente para socorrer as economias. Entre as nações que apresentam problemas nas dívidas soberanas estão Espanha, Portugal, Itália e Irlanda. Os temores na Europa ofuscaram indicadores da economia americana divulgados pela manhã. No cenário local, papéis de peso sobre o Ibovespa fecharam em baixa, refletindo o movimento negativo das commodities. Entre as blue chips, destaque para os papéis PNA da Vale, que despencaram 4,85%, cotados a R$ 43,15, com giro financeiro de R$ 1,941 bilhão. Já as ações PN da Petrobras cederam 3,36%, a R$ 30,44, com volume movimentado de R$ 1,194 bilhão. Também estiveram entre os destaques negativos da jornada as ações ON da mineradora MMX, que recuaram 5,49%, a R$ 12,21, os papéis ON da BM & FBovespa, com queda de 5,48%, a R$ 10,68, e as ações ON da OGX Petróleo, com desvalorização de 5,45%, a R$ 16,45, e giro de R$ 324,7 milhões.. Apenas duas das 66 ações que integram o Ibovespa encerraram o pregão no campo positivo. Enquanto os papéis PNA da Braskem subiram 1,40%, a R$ 12,96, as ações PN da AmBev avançaram 0,87%, a R$ 171,49. A empresa de bebidas divulga seu balanço trimestral amanhã, antes da abertura do mercado. No setor imobiliário, os papéis ON da PDG Realty tiveram queda de 0,24%, a R$ 16,41, enquanto as ações ON da Agre Empreendimentos cederam 4,29%, para R$ 7,8. A Agre foi comprada pela PDG Realty, que irá disputar com a Cyrela a liderança do mercado imobiliário brasileiro. Segundo reportagem publicada na edição de hoje do Valor, não há dinheiro envolvido na operação. Será uma compra com troca de ações, na qual a PDG incorpora 100% da Agre. Na agenda de amanhã, destaque para os dados de emprego da ADP, empresa americana que processa folhas de pagamento, e para o índice de atividade no setor de serviços dos Estados Unidos, ambos referentes a abril. (Beatriz Cutait | Valor)

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