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O Plano Nacional de Banda Larga, que começou a ser discutido pelo governo no ano passado, tinha um objetivo claro: chegar à campanha com um discurso para atender ao eleitorado que vê na internet uma ferramenta para melhorar as condições de vida da família. Para esse movimento, confluíram duas vertentes no governo.

O Plano Nacional de Banda Larga, que começou a ser discutido pelo governo no ano passado, tinha um objetivo claro: chegar à campanha com um discurso para atender ao eleitorado que vê na internet uma ferramenta para melhorar as condições de vida da família. Para esse movimento, confluíram duas vertentes no governo. De um lado, estavam aqueles que queriam a volta da Telebrás, como uma estatal a se opor ao "monopólio" das empresas privadas, numa combinação de ideologia estatizante e de interesse em se criar mais uma empresa governamental, com um orçamento gordo e centenas de cargos a serem ocupados. De outro, aqueles que acreditam na ideia de "campeões nacionais", de empresas privadas que concentram o mercado e passam a operar sob influência decisiva do governo, seja por meio de participação acionária direta do Estado, seja pelo acesso a crédito de bancos oficiais. Por um momento, o primeiro grupo parecia levar a melhor, mas a influência dos que defendem a volta da Telebrás, pelo menos como uma empresa para competir diretamente com a iniciativa privada, começou a se enfraquecer com a denúncia contra o ex-ministro José Dirceu, em fevereiro. Ele tem negócios com Nelson dos Santos, empresário que comprou o controle da Eletronet, empresa falida que tem o governo como acionista, por R$ 1. A principal proposta para a banda larga governamental era de que a Telebrás fosse a gestora da rede óptica da Eletronet e de outras estatais. A Oi se apresenta agora como paraestatal e principal instrumento de universalização da banda larga, e a volta da Telebrás pode ficar para depois. Um dos defensores da Oi no governo é o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Ele promoveu o encontro entre o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, e a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. O BNDES tem 31,4% do controle da companhia, e participou ativamente do processo de compra da Brasil Telecom pela Oi. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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