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A estratégia das siderúrgicas de investir na produção de minério de ferro, tão criticada pelas mineradoras antes da crise de 2008, virou uma espécie de proteção dois anos depois. Usiminas e CSN devem ser as maiores beneficiadas agora, quando o minério pode dobrar de preço.

A estratégia das siderúrgicas de investir na produção de minério de ferro, tão criticada pelas mineradoras antes da crise de 2008, virou uma espécie de proteção dois anos depois. Usiminas e CSN devem ser as maiores beneficiadas agora, quando o minério pode dobrar de preço. Ambas devem melhorar as suas margens com a alta mundial do aço. No caso da CSN, será possível também ganhar com a exportação do minério. Na luta por diminuir sua dependência das grandes mineradoras, que controlam o mercado de minério de ferro, muitas siderúrgicas acabaram optando pela verticalização da produção, como uma espécie de "hedge mineral". Ou seja, compraram ativos que lhes garantiram o fornecimento de parte da matéria-prima, não as deixando à mercê das intempéries do mercado. A CSN foi a primeira a apostar suas fichas na mineração, com a mina de Casa de Pedra. Com um minério considerado de alta qualidade, a mina atualmente garante todo o insumo necessário para o ciclo de produção e ainda permite que a empresa exporte o excedente, que no ano passado superou os 20 milhões de toneladas. "A CSN sempre teve uma margem operacional melhor por isso. Este ano, ela deve aumentar essa margem. Além de não ter o custo do minério, a empresa ainda vai ganhar com a exportação do produto", prevê Pedro Galdi, analista da SLW Corretora. Mesmo criticada, a Usiminas também mirou a verticalização e comprou minas com a intenção de garantir suprimento mais barato. No início de 2008, a siderúrgica adquiriu três mineradoras - J.Mendes, Somisa e Global Mineração - por um valor inicial de US$ 925 milhões. Juntas, as minas garantem cerca de 60% do minério consumido na produção da companhia. Por ano, as minas da Usiminas produzem cerca de 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro. Até 2014, a empresa prevê ampliar este volume para 29 milhões de toneladas/ano. A estratégia da Usiminas vai ser fortalecida em 2010, quando será montada uma nova empresa do grupo para cuidar de mineração e logística. Em nota recente, a siderúrgica informou que a ideia é "atrair um sócio minoritário" e depois abrir capital. Crítica. Em 2008, o presidente da Vale, Roger Agnelli, chegou a afirmar que a Usiminas tinha perdido a chance de ser o "cavalo branco do crescimento" do setor, ao desviar recursos para investimentos em mineração. A estratégia da Usiminas foi apontada como um dos motivos para a Vale vender sua fatia acionária na siderúrgica em 2009. Nos últimos anos, por conta dos aumentos do minério de ferro, a margem de lucro das siderúrgicas acabou sendo reduzida. Agora, com o aumento do insumo básico, é natural que o setor tente repassar, pelo menos, parte do reajuste. Com isso, os preços internacionais tendem a subir consistentemente. Dessa forma, as siderúrgicas que contarem com minério próprio poderão aumentar bastante suas margens na venda do produto. "A rentabilidade das siderúrgicas vinha sendo transferida para os produtores de matéria-prima. Não apenas o minério vinha subindo, mas também o carvão. Com isso, elas acabaram ficando com um hedge (proteção) muito forte", afirmou Pedro Montenegro, analista da Brascan Corretora. Ele lembra que o carvão teve um reajuste de 55% na última negociação trimestral.
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