O governo americano, a União Européia, a Grã-Bretanha e o Brasil já lançaram fortes apelos pela conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), sobre a liberalização do comércio mundial para fazer frente à crise, dias antes da histórica cúpula do G-20 em Washington, enquanto se multiplicam as más notícias sobre a economia mundial.

Muitos vêem na crise econômica uma oportunidade para concluir de uma vez por todas as negociações, embora grande parte de uma eventual solução dependerá da posição assumida pelo recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Concluir a rodada de Doha antes do fim de 2008 ainda é possível, e ajudaria a fortalecer o multilateralismo, declarou à AFP o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

"Estamos, agora, diante da grande oportunidade de dar um forte impulso às negociações, que poderão levar três ou quatro semanas, e depois concluir a Rodada. Acredito que é possível e devemos tentar até a última ficha", disse Amorim na terça-feira.

O agravamento da crise econômica, que empurarrá o mundo desenvolvido para uma recessão pela primeira vez desde 1945, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), pode fazer com que vários países reavaliem suas posições sobre as negociações da Rodada de Doha, que se arrastam desde 2001.

O diretor geral da OMC, Pascal Lamy, se reuniu nesta quarta-feira em Genebra com representantes de grandes bancos comerciais e instituições financeiras internacionais para avaliar o impacto da crise sobre o comércio.

Agora à tarde, Lamy se encontrará com representantes dos 153 países membros da OMC para apresentar as conclusões de sua primeira reunião.

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