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Atividade mais fraca deve garantir alta menor do juro

Por Renato Andrade SÃO PAULO (Reuters) - As incertezas que ainda pairam sobre o comportamento da inflação no país acabaram justificando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de fazer mais um aperto forte da taxa básica de juro em setembro, mas analistas insistem que o próximo ajuste será mais brando.

Reuters |

A avaliação de que a economia global está passando por uma desaceleração acentuada foi unânime entre os diretores do BC, de acordo com a ata da reunião de setembro do Copom, divulgada nesta quinta-feira.

Mas os efeitos deste processo sobre a inflação foram analisados de forma distinta, o que acabou gerando uma divisão no placar da decisão.

O aumento da Selic em 0,75 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano, foi aprovado por 5 votos a três. Os dissidentes queriam que a taxa sofresse um ajuste mais moderado, de 0,50 ponto.

Para estes três diretores, os sinais de 'acentuada deterioração' da atividade das principais economias do globo justificariam um aumento mais leve do juro no Brasil a partir de setembro, já que o ritmo mais fraco de crescimento acarreta uma melhora nas perspectivas inflacionárias, em boa medida por conta da queda dos preços das commodities.

Mas os demais diretores do BC fizeram uma avaliação mais pessimista sobre o quadro.

'A maioria do Comitê, entretanto, considera neste momento que, em que pese a deterioração das perspectivas para o crescimento econômico mundial, os riscos para a materialização de um cenário inflacionário benigno no país não apresentaram ainda melhora suficientemente convincente', afirmaram os diretores na ata.

OLHANDO LÁ FORA

O mercado de juros registrou pouca reação ao documento, já que a incerteza sobre a extensão da crise financeira internacional persiste, apesar do alívio verificado nesta manhã.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) mais negociados apontavam taxas mais salgadas.

'O mercado está dependendo muito da situação externa', afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

As bolsas de valores de Wall Street abriram em alta acentuada, depois que os principais bancos centrais do mundo injetaram bilhões de dólares nos mercados, tentando garantir a liquidez.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo subia cerca de 3 por cento, às 11h27.

CORTE MENOR

Apesar dos cinco votos favoráveis ao aumento de 0,75 ponto da Selic este mês, analistas consultados pela Reuters reafirmaram suas apostas numa elevação mais branda, de 0,50 ponto, na reunião do Copom de outubro.

Segundo Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, dificilmente os diretores que votaram por um aumento de 0,50 ponto da Selic em setembro vão mudar suas apostas em outubro e alguns integrantes que defenderam o aperto de 0,75 ponto podem mudar seu voto diante da clara desaceleração da atividade econômica no mundo.

'Os que votaram em 0,75 (ponto) têm também para considerar e mudar o voto as projeções de inflação e a inflação corrente mostrando melhora e os números de atividade que devem mostrar uma parada na aceleração da economia', disse.

A opinião também foi compartilhada por Campos Neto, do Banco Schahin, que reafirmou sua projeção de um aumento de 0,50 ponto da Selic no próximo mês e disse que o aperto pode desacelerar ainda mais em dezembro, para uma alta de 0,25 ponto, dependendo da evolução do cenário.

Desde que iniciou o ciclo de aperto monetário, em abril, o Copom já elevou a taxa básica de juro quatro vezes consecutivas, na tentativa de trazer a inflação de volta ao centro da meta já em 2009.

A próxima reunião do Copom será realizada nos dias 28 e 29 de outubro.

(Reportagem adicional de Vanessa Stelzer)

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