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Até banqueiro pede redução de juros

O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, defendeu ontem a antecipação da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 20 e 21, para que os juros possam cair mais rapidamente. A proposta foi apresentada durante reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com um grupo de 15 representantes do setor produtivo.

Agência Estado |

O corte imediato dos juros foi um pedido unânime dos empresários. Meirelles não respondeu à provocação e defendeu a política do BC. "Se acertamos no passado, tenho fé que vamos continuar acertando", disse Meirelles.

"É para ver como está o sentimento global", comentou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. "Uma das unanimidades é que se precisa baixar o custo do crédito no País", acrescentou o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). "Aconteceu um milagre", reagiu o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Luiz Aubert Neto. "O que me deixou mais satisfeito foi o representante da Febraban pedir para antecipar a reunião do Copom para baixar os juros", disse Aubert, um dos que mais provocaram Meirelles quando quis saber por que o BC mantém os juros elevados.

O vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José de Freitas Mascarenhas, disse que todos reclamaram não só dos juros, mas também dos spreads cobrados pelos bancos. Segundo Mascarenhas, Meirelles disse respeitar as críticas, mas defendeu a política monetária, dizendo que ela, até agora, tem se mostrado bem-sucedida.

"Quando nós assumimos a taxa de juros era de 26,5% e hoje é de 13,5% ao ano", respondeu o presidente do BC. Ele disse aos empresários que a taxa de juros pode afetar a economia de duas formas: no crescimento agregado e na inflação.

Meirelles, segundo relato de Mascarenhas, reconheceu que os spreads estão elevados, mas não se comprometeu com medidas para reduzi-lo. De acordo com vice-presidente da CNI, a tônica do empresariado foi de que, como há queda forte na demanda, o BC poderia reduzir a taxa básica sem que isso represente risco de alta da inflação. A última vez que o Copom se reuniu extraordinariamente foi em outubro de 2002 - mas foi para subir os juros.

O fato é que Meirelles não demonstrou o menor entusiasmo com a proposta de antecipar a reunião do Copom. Essa é uma "hipótese praticamente impossível", segundo fontes do governo. As regras que estabelecem o poder do Copom, porém, preveem a realização de reuniões extraordinárias. Esses encontros podem ser convocados, a critério do presidente do Banco Central.

Os empresários somaram força, também, na defesa para a eliminação dos tributos sobre os investimentos. "Todo mundo concorda com a desoneração total dos investimentos, a questão é como fazer isso", disse Aubert. "A desoneração tem de ser ontem. Estamos em economia de guerra."

O governo convocou a reunião com os empresários um dia depois da divulgação da queda de 5,2% na produção industrial em novembro, preocupado com a deterioração das expectativas do setor produtivo. Na tentativa de manter o moral elevado, o ministro Mantega informou que um pacote de ajuda ao setor de construção civil deverá ser anunciado em 15 dias. Além disso, outras medidas estão em estudo. Ele não adiantou quais. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, disse que o governo criou um "grupo de acompanhamento da crise", que vai se reunir todos os meses.

O principal temor do governo é que as férias coletivas e acordos de suspensão de contratos de trabalho se convertam em demissões. Mas não foi pedido aos empresários nenhum compromisso nessa área.

Na reunião, o governo mais ouviu do que falou. Os setores apresentaram reivindicações específicas. A Abdib, por exemplo, quer crédito mais farto e barato para os projetos em infraestrutura, e para tanto defendeu uma atuação mais forte dos bancos oficiais. O presidente da entidade pediu que o governo mantenha seus investimentos, como forma de reverter a tendência de redução da atividade econômica este ano. A percepção passada pelos empresários é a de que sem redução nas taxas de juros, maior oferta de crédito e novas desonerações tributárias dificilmente será possível conter o desemprego no País.

Diante desse cenário, as demissões poderiam ser contornadas, segundo posição defendida pela Abimaq, se o governo, durante seis meses, adotasse um tratamento tributário para as vendas de máquinas e equipamentos no mercado interno semelhante ao que é dado às exportações, que são desoneradas do PIS/Cofins e IPI. Pela proposta, as empresas pagariam o tributo devido posteriormente, em 24 meses, sem correção de juros. Ele calculou em 12% a 13% o peso desses três tributos no preço final das máquinas e equipamentos vendidos no mercado interno.

Schneider, da Anfavea, aproveitou para reclamar da falta de financiamento para os carros usados, que tem prejudicado o mercado de novos, este sim beneficiado por medidas como redução do IPI e crédito para financiamento.

O representante da indústria da construção civil comemorou o fato de o governo estar disposto a adotar um programa habitacional para famílias com renda até cinco salários mínimos. O plano prevê investimentos de R$ 350 bilhões num prazo de 15 anos para erradicar o déficit habitacional, estimado em 8 milhões de unidades.

Os representantes dos trabalhadores discordam da forma como o governo tem conduzido a crise. Segundo Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, o governo deveria aproveitar o momento de negociar concessões aos setores, como o que aconteceu com a indústria automobilística, para garantir formalmente que o quadro de empregados seja mantido pelas companhias.

Secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo é outro crítico à estratégia de negociação escolhida por Mantega: "O governo deveria fazer uma mesa redonda com todos os lados."

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