Londres, 14 jan (EFE).- Shriti Vadera, uma das principais assessoras econômicas do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou hoje que começa a ver focos de recuperação econômica, declaração que causou um forte controvérsia política.

Em um dia no qual empresas como Barclays e Jaguar Land Rover anunciaram novas demissões para enfrentar à crise, Vadera foi entrevistada pela rede de televisão "ITV", onde perguntaram se ela achava que o Reino Unido pode esperar que apareçam esses focos de recuperação.

Vadera contestou: "estamos em um mundo muito incerto, globalmente. Vejo alguns focos, mas é cedo demais para dizer exatamente como eles vão crescer".

Com a economia em recessão, o número de desempregados crescendo a cada dia, os bancos sem retomar os níveis normais de crédito e a Bolsa e as taxas de juros em mínimos históricos, a afirmação derivou em polêmica, com a oposição acusando o Governo trabalhista de Brown de falta de sensibilidade.

"Que um membro do Governo trabalhista fale sobre os focos de recuperação em um dia no qual milhares de pessoas estão perdendo seus trabalhos não é só incrivelmente insensível, mas nos faz perguntar em que planeta vive este Governo. Claro que não na Grã-Bretanha em 2009", disse o deputado conservador George Osborne.

Já liberal-democrata Vince Cable comentou que Vadera "claramente vive em um universo paralelo se pensa que a economia começa a se recuperar" e considerou que "os membros do Governo não devem contribuir para deprimir a economia com suas declarações", embora neste caso "os comentários sirvam para uma obra de ficção".

A própria Vadera se viu na obrigação de matizar suas palavras e disse posteriormente à emissora pública de TV "BBC" que não quis ser "complacente em um momento extraordinariamente difícil".

Vadera explicou que estava debatendo sobre o mercado crédito e que lhe veio à cabeça o caso de uma empresa que tinha conseguido milhões de libras em crédito para seu negócio, algo que "tivesse sido inconcebível há dois meses" e que, na sua opinião, demonstra que voltam a se conceder créditos de maneira "real". EFE fpb/jp

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