Teerã, 9 dez (EFE).- Abulfazl Zahrevand, assessor em assuntos nucleares e analista de política internacional do Governo iraniano, acusou hoje a ONU de construir um posto de espionagem perto da fronteira norte do Irã.

Segundo o assessor, o posto foi erguido sob o pretexto de ser uma central de monitoramento de movimentos sísmicos causados por explosões nucleares.

"Assim que se descobriu a natureza desse tipo de central, ficou claro que a atividade de uma delas é vigiar o Irã", afirmou.

"O tratado para a proibição global dos testes atômicos é, na realidade, um tratado de espionagem, mais perigoso até que o protocolo adicional", acrescentou Zahrevand, citado pela agência de notícias estatal "Irna".

Especialistas internacionais concluíram na semana passada no Turcomenistão a construção de um dos 275 centros de vigilância de movimentos sísmicos espalhados pelo mundo.

Seu objetivo declarado é detectar abalos na terra que possam ter sido produzidos por explosões ocorridas em experimentos nucleares.

Na opinião de Zahrevand, a localização de uma destas estações no Turcomenistão, a poucos quilômetros do território iraniano, é parte de um plano concebido que prevê a instalação de outras similares em diversos países que fazem fronteira com o Irã.

"Estes equipamentos foram criados de tal forma que não há acesso a seus dados nos países onde estão colocados, mas seus registros são transmitidos diretamente, e de forma veloz, ao centro de registro dos tremores em Viena", disse o assessor.

Grande parte da comunidade internacional, liderada por Estados Unidos e Israel, acusa o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicação militar cujo objetivo é a aquisição de armamento atômico, algo que Teerã nega.

A Comissão Preparatória para a Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês), assegurou dias atrás que há estações deste tipo no mundo todo, incluindo no próprio Irã.

Segundo sua porta-voz, Annika Thunborg, uma delas está localizada em Teerã, enquanto outras duas ficam nas cidades de Shushtar e Kerman.

Além disso, Thunborg disse que a decisão de construir o centro no Turcomenistão foi tomada entre 1994 e 1996 com conhecimento do Irã.

EFE msh-jm/bba

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