O júri absolveu nesta quinta-feira os supostos cúmplices do assassinato da famosa jornalista russa Anna Politkovskaïa após três meses de um processo que não esclareceu os motivos do crime, nem a identidade do autor principal.

Os dois irmãos chechenos, Djabraïl e Ibraguim Makhmoudov, foram liberados. Eles eram suspeitos de ter perseguido Politkovskaïa e de ter levado ao local do crime o assassino, o irmão deles Roustam que até agora não foi detido.

O veredicto de absolvição envolve também o ex-policial Sergueï Khadjikourbanov suspeito de ter organizado a logística do assassinato, e o ex-agente do FSB (Serviços federais de segurança) Pavel Riagouzov que compareceu por acusações de extorsão e abuso de poder não diretamente ligadas ao assassinato.

"Os acusados foram liberados pelo tribunal", anunciou Alexandre Mintchanovski, o porta-voz do tribunal militar de Moscou onde o processo estava em andamento desde meados de novembro de 2008.

Os filhos de Politkovskaïa escutaram o veredicto em silêncio e seus advogados voltaram a denunciar o fato de a investigação não ter esclarecido o assassinato da jornalista em outubro de 2006.

"Tudo ainda está diante de nós e a Promotoria vai ter de ativar sua ação", declarou Karinna Moskalenko.

"Queremos os verdadeiros assassinos, queremos detê-los e vamos conseguir", acrescentou, denunciando "uma investigação injusta".

Ao final de três meses de processo, o júri apenas reconheceu a evidência: a jornalista foi de fato assassinada.

Depois da leitura da decisão do júri, os acusados gritaram "obrigada", enquanto a mãe dos irmãos chechenos desabava em lágrimas.

"Obrigada a todos, graças a Deus. Estamos felizes", disse à imprensa, Ibraguim Makhmoudov.

O jornal para o qual trabalhava Politkovskaïa prometeu por sua vez nesta quinta-feira de continuar atrás dos assassinos.

"Vamos dar continuidade ao que já estamos fazendo: procurar os culpados, apesar de eu ser pessimista", disse o redator da Novaïa Gazeta, Sergueï Sokolov.

A Promotoria indicou imediatamente que apelaria do veredicto.

A organização da defesa da imprensa Repórteres sem Fronteiras (RSF) disse por sua vez em um comunicado que o veredicto era "a consequência de uma investigação incompleta e transmitida prematuramente à justiça".

As primeiras audiências do processo haviam começado com um escândalo. O juiz tentou impor regime de portas fechadas ilegalmente. Ele teve de reunir depois de ter sido denunciado por um jurado.

As ONGs tinham denunciado uma investigação incompleta e o fato de o processo ter acontecido num tribunal militar de Moscou em razão da presença do ex-agente do FSB entre os acusados.

Anna Politkovskaïa, jornalista da oposição na Novaïa Gazeta, uma das raras a ter continuado a cobrir a guerra na Chechênia e as violações dos direitos humanos, foi assassinada a tiros em 7 de outubro de 2006 em sua casa em Moscou.

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