O mercado observa com prudência o desenrolar dos acontecimentos nesta quinta-feira e Bolsas da Europa e da Ásia, que não reagiram conforme o esperado ao corte das taxas de juros na véspera, mostraram uma tímida recuperação, na expectativa das grandes reuniões financeiras internacionais deste fim de semana.

Uma hora depois da abertura, o índice Footsie 100 da Bolsa de Londres ganhava 2,75%, depois da queda de 5,18% na quarta. O índice DAX de Frankfurt, a principal bolsa da Zona Euro, que caiu 5,88% na véspera, subia 1,80%.

Em Paris, o CAC 40 ganhava 2,62%, recuperando parte dos 6,31% perdidos na quarta e, na Bolsa de Madri, o Ibex 35 recuperava 2,17%.

As altas foram muito mais importantes nas duas Bolsas de Moscou, onde o índice MICEX (em rubros) ganhava 15,66% e o RTS (en dólares) subia 11,93%.

As Bolsas da Ásia, por outro lado, não terminaram muito animadas.

Tóquio fechou em leve baixa de 0,50%, Xangai perdeu 0,84%, Taipé registrou -1,45%, Sidney -1,50% e Nova Zelândia -0,13%. Já Hong Kong ganhou 3,3% e Seul 0,64%.

Em Jacarta, as operações continuam suspensas depois da queda de 10% na quarta-feira.

"Os mercados continuam céticos quanto à coordenação internacional para resolver os problemas do sistema financeiro", afirmaram os economistas do Barclays Capital em uma nota a seus clientes, dando a entender que as Bolsas mundiais continuarão voláteis nos próximos dias.

Além disso, as medidas de reestruturação bancária continuam na Europa.

Na Islândia, o Estado assumiu o controle do maior banco do país. Com esta nacionalização, do banco Kaupthing, os três grandes estabelecimentos bancários da ilha, em meio a uma grave crise financeira, continuam sob controle governamental.

As trocas na Bolsa de Reykjavik, afetadas pela crise no setor financeiro da Islândia, foram suspensas até 13 de outubro.

Os Estados belga, francês e luxemburguês decidiram dar garantias ao banco franco-belga em dificuldades Dexia, para que possa pegar dinheiro emprestado nos mercados, depois de ter nacionalizado parcialmente a empresa na semana passada.

A Irlanda anunciou que estendeu sua garantia total sobre os depósitos bancários a cinco bancos estrangeiros com amplas atividades no país, conforme anunciou nesta quinta-feira o ministério irlandês das Finanças.

Após o choque das baixas das taxas coordenadas de seis grandes bancos centrais ocidentais e o anúncio por Londres de um plano de apoio aos bancos, os grandes credores internacionais começaram a oscilar.

"Algumas instituições financeiras vão quebrar nos EUA devido às medidas adotadas recentemente", advertiu o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, pedindo paciência diante das turbulências nos mercados "que não vão passar rapidamente".

"Não existe soluções imediatas nem fáceis para a crise financeira internacional", disse nesta quinta-feira o comissário europeu dos Assuntos econômicos e monetários, Joaquin Almunia.

"Calma!", lançou aos investidores o presidente do Banco central europeu (BCE) Jean-Claude Trichet, que vê na redução conjunta das taxas de juros "um sinal de confiança ao mercado".

"O pessimismo é um mau conselheiro", destacou.

O Banco central europeu anunciou ainda nesta quinta-feira uma operação excepcional de refinanciamento em euros com prazo de seis dias de uma quantia ilimitada, o que é raro, para satisfazer todas as demandas dos bancos que carecem de liquidez.

O fim de semana se anuncia carregado em Washington: os responsáveis do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Grã-Bretanha, Itália e Japão) se reúnem sexta-feira para discutir como "reforçar seus esforços coletivos diante da crise", segundo Paulson.

Washington receberá também a partir de sábado reuniões do Grupo dos 20, que reúne ministros e banqueiros centrais dos principais países ricos e emergentes, e as reuniões autônomas do FMI e do Banco Mundial.

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