Publicidade
Publicidade - Super banner
Artigos
enhanced by Google
 

Por uma química sustentável

Adoção de práticas sustentáveis não deve ser vista como mera ação filantrópica, mas representa um diferencial competitivo

Marcelo Lacerda, especial para o iG |

Greg Salibian/iG
Marcelo Lacerda é presidente da Lanxess no Brasil
Um estudo divulgado recentemente por uma entidade britânica tem provocado bastante polêmica mundo afora. A tese defendida pela Fundação Nova Economia (NEF, na sigla em inglês) é de que a única forma de controlar o aquecimento global é interromper o ciclo de crescimento econômico.

O diretor da NEF, Andrew Simms, explica que “o crescimento econômico incessante está consumindo a biosfera do planeta além de seus limites”. Em sua visão, o custo dessa expansão aparece no “comprometimento da segurança alimentar global, nas mudanças drásticas do clima, na instabilidade econômica e nas ameaças ao bem-estar social”.

A proposta de eliminar ou mesmo restringir uma atividade em prol de um determinado viés é recorrente na política econômica mundial, mas certamente raríssimas vezes tenhamos atingido tal patamar de grandiosidade. O raciocínio por trás disso está mais do que impregnado no nosso dia-a-dia: para controlar, taxa-se; para reprimir, multa-se. E assim seguimos uma corrente de soluções paliativas em que ninguém se compromete de fato com nada.

Neste contexto, depois de uma onda em que ser sustentável era a ordem do dia, o meio ambiente parece ter voltado a sua eterna posição de coadjuvante. É o que mostra, por exemplo, uma pesquisa recente feita no Reino Unido pelo Instituto Ipsos Mori. A proporção de adultos que acredita que as mudanças climáticas são uma realidade “com certeza” caiu de 44% para 31% nos últimos 12 meses.

Embora nove em cada 10 entrevistados ainda aceitem que o aquecimento existe com algum grau de confiança, o grupo que tem segurança absoluta do perigo e está disposto a bancar medidas para mitigar o aquecimento encolheu.

Essa não é uma perspectiva isolada, mas pode e deve ser revertida, não com deliberações, mas com base no protagonismo de cada um. O primeiro mito e entrave que se deve derrubar é, justamente, esse de que a atividade econômica necessariamente antagoniza com o meio ambiente. Ao contrário, é plenamente viável e estrategicamente inteligente obter crescimento por meio da preservação do meio ambiente e pelo respeito aos anseios dos diversos agentes sociais.

Na verdade, a adoção de práticas sustentáveis nas organizações não deve mais ser vista como mera ação filantrópica ou algo do gênero. Não é marketing, é mercado e representa, de fato, um diferencial competitivo.

Estão aí as políticas de reutilização de água, as usinas de cogeração baseadas em energias renováveis, a substituição do papel por documentos eletrônicos, as teleconferências substituindo as reuniões presenciais, o próprio home office e outras dezenas de práticas que já se mostraram extremamente eficazes para a redução de custos e mesmo para a desburocratização de processos.

Um outro estudo encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) dá fôlego à urgência de trazer a questão da sustentabilidade para a estratégia de negócios das organizações. Segundos os dados levantados, se as 3 mil maiores empresas globais tivessem de arcar com os reais custos da poluição, das mudanças climáticas e de outros impactos ambientais, perderiam nada menos que um terço de seus lucros – o equivalente a US$ 2,2 trilhões, valor superior ao PIB da maior parte dos países do mundo.

É preciso, portanto, antever esse cenário antes que ele tome a proporção de crise, não apenas do ponto de vista financeiro, mas também no que diz respeito à escassez de insumos para a produção. É preciso que a questão da sustentabilidade saia dos departamentos de marketing e recursos humanos e seja assumida pelas pessoas responsáveis pela estratégia das organizações e que elas, cientes de sua importância, trabalhem com o mesmo empenho que o fazem para pensar suas marcas, seus produtos e seus serviços. Chega de esperar, ou pior, de praguejar. É a hora de agir.
 

Advogado, Marcelo Lacerda é presidente da Lanxess, fabricante de especialidades químicas, no Brasil. Em março, a empresa inaugurou uma usina de cogeração de energia movida à bagaço de cana na fábrica da Lanxess, em Porto Feliz (SP)

Leia tudo sobre: lanxessmarcelo lacerdarenovávelsustentabilidade

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG