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Artigo: Bruxelas vai criar um FMI?

A ideia surgiu esta semana na Europa: por que a União Europeia não cria um Fundo Monetário Europeu, tendo como modelo o FMI, para ajudar os países europeus necessitados a superarem uma fase difícil? É o caso da Grécia, no momento, mas talvez um dia seja a Irlanda, a Espanha ou Portugal. A proposta foi lançada por Wolfgang Schäuble (o mais europeu dos ministros alemães).

Agência Estado |

A Comissão Europeia em Bruxelas, que é o executivo da UE, recebeu a ideia com entusiasmo. E antes de junho deve propor uma análise nesse sentido.

Mas junho está longe, muito longe para uma Grécia que perde o fôlego. Além disso, os grandes países europeus não se mostram tão animados.

Angela Merkel disse "sim, mas..." , e a França se manifestou com um "nada mal, mas..." O mais hostil foi Banco Central Europeu (BCE), de Frankfurt, que administra o euro.

Jean Claude Trichet, o cabeçudo chefe do banco, diz que pertencer à união monetária "por si só já é uma garantia de solvabilidade. Não há nenhuma razão para requerer ajuda externa e menos ainda para criar um Fundo Monetário Europeu (FME). Isso prejudicaria a confiança no euro".

Bem, mas e a Grécia, o que faz em meio a todo esse palavreado? Ela necessita de oxigênio. Precisa de crédito. E, se os financistas europeus se mostrarem reticentes, ela terá de bater em outra porta.

O primeiro ministro grego, George Papandreou, está em Washington, onde se reúne com o presidente Barack Obama. Claro que não vai pedir 30 bilhões emprestados. Mas, se o FMI pudesse fazer alguma coisa...

E o FMI é todo sorrisos. "A instituição esta impaciente para assumir o problema", disseram seus responsáveis.

Aliás, o FMI já enviou alguns funcionários para a Grécia, a título de assistência técnica. Portanto, será fácil montar um programa... "Se a Grécia fizer um pedido ao FMI, verá que a porta está bastante aberta."
No entanto, não é seguro que Papandreou recorra à instituição. Ele sabe muito bem que um pedido de ajuda ao FMI vai enfurecer a Europa.

Para a União Europeia, isso será uma humilhação. Berlim, Paris, Bruxelas, o Banco Central Europeu ficam enraivecidos só com a ideia de um país europeu poder ser salvo pelo Fundo Monetário Internacional.

Assim, a pobre Grécia fica se debatendo entre dois salvadores que se vigiam, se paralisam e não fazem nada. E percebemos, então, como a estrutura da União Europeia (e também da zona do euro) é retorcida, precária e egoísta.

Tudo parece calculado para que um membro da zona do euro repentinamente em dificuldade seja impedido de pedir socorro à União Europeia.

Primeiro, normalmente, o remédio para a debilidade monetário seria uma desvalorização da moeda grega. Mas justamente a Grécia não tem moeda própria, já que aderiu à moeda comum, o euro, que não pode ser desvalorizado.

Seria, então, caso de colocar em ação o Pacto de Segurança que foi assinado em Lisboa pelos 27 países da União Europeia. Mas, nesse caso também, um novo ardil: o Tratado de Lisboa proíbe que os membros da UE socorram um país em colapso (a Grécia). E a Alemanha se atém veementemente a essa regra.

Em terceiro lugar, como a Europa sufoca qualquer possibilidade de salvamento, seria o caso de se apelar ao FMI, que está pronto para ajudar.

Sim, mas nesse caso o orgulho europeu explode. A Europa grita a plenos pulmões: "Será uma vergonha um país europeu ir ao FMI mendigar! Vamos ter um pouco de dignidade, que diabo! "
Esse imbróglio tem pelo menos um mérito, que é o de impelir essa Europa invertebrada, medrosa, desagregada e egoísta, a se reformar, flexibilizando o Tratado de Lisboa ou se dotando de um Fundo Monetário Europeu.

Mas a criação de um fundo como esse, caso isso seja decidido, vai levar alguns meses. E até lá, o que será da Grécia? Vale observar que, apesar de tudo, a crise grega e seus efeitos sobre a Europa não são totalmente negativos: o euro perdeu força por causa das convulsões gregas e as ameaças sobre alguns outros países.

O que foi bom: a moeda estava tão valorizada em relação ao dólar que as exportações europeias para fora da União Europeia estavam sendo prejudicadas. Com a crise grega, essas mesmas exportações se fortaleceram.

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